#OALANBRADO
Diário esportivo mais importante do país fica atrás na disputa com o conteúdo na internet

Pioneirismo foi a marca do Diário Lance! desde seu lançamento em outubro de 1997. A ousadia de seus criadores fez da publicação uma das mais importantes e relevantes do jornalismo brasileiro nas duas últimas décadas. Porém, o jornal passa por momentos conturbados e, na competição com a internet, a impressão que se tem é a de que o Lance! fica para trás.

O Lance!, por seu espírito jovem e inovador, conseguiu desbancar o tradicionalíssimo A Gazeta Esportiva, que, no início deste século, decretou seu fim, permanecendo apenas como agência de notícias esportivas. Anos mais tarde, o Jornal dos Sports, no Rio de Janeiro, também encerrou suas atividades.



Walter de Mattos Jr., fundador do Lance!, coordenou uma empreitada, acima de tudo, corajosa. Lançar um impresso no Brasil é um processo em que poucos se destacam. São poucas as famílias e os grupos que possuem um veículo com certo alcance nacional. 

Fundado simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, o diário esportivo tentou desbravar outras regiões, algumas porém sem sucesso. Foi o primeiro jornal em formato tabloide, colorido e grampeado. Buscou renovar a cara da imprensa esportiva e contou com um grupo jovem no início do projeto. Além de colunistas consagrados, criou personagens para cada clube, que serviam como "porta-vozes" da torcida.

Os posteres rivalizam com os lançados pela Placar


A empreitada do Lance! foi inspirada em projetos de outros países que possuem características, em relação ao consumir futebol, semelhantes. A Argentina, com o diário Olé, e a Espanha, com o Marca. Além disso, o jornal apostou também na internet. Lançou, logo no início, as notícias esportivas online, fazendo com que, no ano seguinte, A Gazeta Esportiva criasse seu site. 

Em"“História do Lance! Projeto e Prática de Jornalismo Esportivo”, Maurício Stycer detalha de forma clara o papel do Lance!, sua história e o cenário que precedeu o lançamento. O autor explica os objetivos de Walter de Mattos Jr., seus cuidados e visão. 

O diário é o 16º colocado na média de circulação entre os jornais impressos. Os dados, disponíveis no site da ANJ, ranqueia também a média de acessos digitais dos jornais filiados; o Lance! aparece em 26º. Os dados referem-se a 2015. Os números, digam-se, fazem do Lance! um dos maiores jornais de conteúdo segmentado do país e o maior impresso esportivo.

Inspirando gerações

Assim como Placar, o diário Lance! também encheu os olhos de muitos garotos fãs de futebol. A possibilidade de ter um jornal de qualidade, diário, e com visão mais profunda do seu time fez com que o jornal se destacasse. Contrastando com a linha mais séria de A Gazeta no final dos anos 90 e nos primeiros anos do novo século. 


No início, vendido a R$ 0,75, o diário hoje é encontrado nas bancas por mais de R$ 2,00. Particularmente falando, "conheci" o Lance! a R$ 1,25 (e R$ 2,00 aos sábados, dia que uma revista A+, era encartada junto). 

Marca do grupo, a Lance! Publicações também lançou revistas e DVDs, além de outros produtos oficiais de clubes

Além disso, a forma como o Lance! tratou do futebol sempre foi muito comentada. A quantidade de páginas para cada equipe, como se referir aos clubes, destaque quando é clássico etc. O clubismo muitas vezes foi tema de discussão entre seus fãs. Mesmo assim, em dias de jogos e pós-partidas, era ritual quase obrigatório ir na banca para ter o jornal em mãos e ver como tal acontecimento fora abordado.


O Lance! sempre deixou claro seu descontentamento em relação ao modelo de gestão do futebol no país. Seu fundador, Walter de Mattos Jr., já escreveu editoriais em capa para mostrar o posicionamento da publicação sobre os manda-chuvas do futebol brasileiro. 

Anúncio do Lance! nos álbuns da Champions League

Futuro

Discutir o que será do Lance! é também falar do futuro da imprensa brasileira. Mais do que discutir o meio, é o conteúdo que importa. Diante da enorme quantidade de informação em diferentes linguagens e formas, a curadoria de conteúdo de qualidade é o que fará das publicações a escolha do público.

Atualmente, o Lance!, que disponibiliza todo o conteúdo do impresso na internet de forma aberta, fica atrás dos portais dedicados a análise mais profunda do esporte. Saber comunicar-se com o público oferecendo para ele o que importante de acordo com como ele lê e diversificar os esportes são passos importantes para manter-se em destaque.

Em agosto, o Lance! entrou com pedido de recuperação judicial na justiça. Quem cresceu lendo o diário torce pela sua retomada, mantendo a linguagem jovem e dando espaço aos novos profissionais do mercado, multitarefas e que entendam desse novo mundo.

Força ao LANCE! E parabéns pelas duas décadas.

Leia também

A importância da Gazeta para o jornalismo
Em entrevista pouco antes da Olimpíada, Carlos Arthur Nuzman irritou-se com pergunta de repórter; um ano após os Jogos, legado ainda é discutível

O Brasil foi palco da primeira Olimpíada da América do Sul. O Rio de Janeiro celebrou a maior festa do esporte mundial em meio a muitas incertezas. Dentro dos centros de disputa e por parte da torcida, a festa foi bonita. Da parte administrativa, o desejo de que deveria ter sido melhor ainda é constante.



Os Jogos do Rio foram disputados em agosto de 2016. De lá para cá, parte do legado olímpico prometido desde a escolha da cidade como sede dos Jogos ainda é esperado pelos cidadãos e esportistas. O brasileiro ainda pagará por algum tempo esses bilhões (valor exato que ainda é incerto) investidos para as disputas.



Politicamente, o país vive uma crise que há muito tempo não se via. O reflexo causado pelas incertezas políticas e econômicas ainda refletem na vida do brasileiro. Olhando para trás e graças ao grande arquivo que a internet nos guarda, relembramos como cartolas e políticos se atrapalhavam na hora de defender não só a realização das disputas, mas também todo os gastos.





O "UOL Esportes" preparou uma página especial para lembrar deste um ano do início de Rio 2016. Em "Um ano de ressaca", a página traz um panorama esportivo e estrutural dos Jogos. A parte que mais chama a atenção, entre tantas, é a sobre quanto custou a Olimpíada para os cofres públicos. A resposta? Impossível de saber.



Em reportagem exibida na TV Gazeta, em junho de 2016, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, não gostou de ser perguntado se o Brasil teria uma conta muita alta a pagar após as Olimpíadas. O presidente encerrou a entrevista dizendo não saber qual conta e, apontando para o repórter e nervoso, disse "você paga":



#OAlanbrado nas redes sociais


Esportivamente falando, o Brasil teve o seu melhor desempenho de medalhas na história dos Jogos. O período das disputas olímpicas ainda é guardada com carinho pelos fãs de esporte. Seguimos de olho e cobrando todo o legado!

Leia Também


Pela primeira vez em vinte anos, Seleção Brasileira não participa da competição que serve como teste para Rússia, sede da Copa do Mundo que vem


Há quatro anos, o Brasil vivia um clima tenso. Os problemas políticos, combinados com a ira popular contra o poder público e desconfiança internacional com o país, causaram grandes manifestações em toda a parte. Estávamos prestes a realizar, pela primeira vez, a Copa das Confederações. Este evento foi criado pela FIFA para testar o país que recebe a Copa do Mundo de Futebol. Em 2013, foram muitas falhas, mas que, no final, foi uma festa bem interessante dentro dos estádios. Fora, as tensões eram cada vez mais intensas. 

A Seleção Brasileira, comandada pelo técnico Felipão, chegou ao tetracampeonato, isolando-se como maior vencedor. A vitória sobre a Espanha em um Maracanã lotado encheu o torcedor de esperança, que foi estraçalhada um ano depois, na semifinal da Copa. 

Mas não foi só em 2013 que o campeão deste torneio-teste decepciona no Mundial de seleções. Na realidade, nenhum campeão da Copa das Confederações venceu a Copa do Mundo. A "maldição" não foi quebrada até hoje, após nove torneios disputados. Para a décima edição, o Brasil, finalista dos últimos três torneios, não fará parte. Das oito seleções participantes, Portugal e Alemanha são as grandes favoritas. A atual campeã mundial, aliás, espera quebrar a marca negativa que a Copa das Confederações carrega.



A edição de 2017 pode ser a última no formato que a FIFA tenta, sem sucesso, inserir no gosto popular. Cogita-se, inclusive, acabar com o torneio. Porém, sabe-se pouco da edição de 2021. Apesar do Qatar ter sido escolhido como sede da Copa em 2022, quem sediará o torneio será outro país asiático. As mudanças que a FIFA pretende implantar em seus torneios pode impactar também a Copa das Confederações, como, por exemplo, transformá-la em um Mundial de Clubes. 

É importante dizer que já tem uma mudança importante que está planejada: na Copa do Mundo de 2026, pela primeira vez, 46 equipes disputarão o título. É o maior número de seleções participantes do mundial.

Enfim, como podemos ver, a Copa das Confederações não passa de um torneio para "cumprir tabela". Porém, é um torneio oficial, que envolve certo prestígio (uma boa moral para a disputa da Copa), além de todo os valores envolvidos. Se está longe de ser uma Copa do Mundo, é um evento FIFA, de qualquer forma.

Participantes


RÚSSIA


Confederação: UEFA
Classificação: País sede e organizador da Copa do Mundo FIFA Rússia 2018
Retrospecto: Primeira participação

Em Copas do Mundo (inclui informações da União Soviética, antes da dissolução do bloco):
Melhor participação: quarto lugar (como Rússia, apenas fase de grupos)
Participações: 11


ALEMANHA


Confederação: UEFA
Classificação: Campeão da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014
Retrospecto: Duas participações (3º lugar em 2005)

Em Copas do Mundo (inclui informações da Alemanha Ocidental e Oriental):
Melhor participação: tetracampeão mundial
Participações: 18


AUSTRÁLIA


Confederação: AFC
Classificação: Campeão da Copa da Ásia 2015
Retrospecto: Três participações (vice-campeão em 1997)

Em Copas do Mundo
Melhor participação: oitavas-de-final
Participações: 4


CHILE



Confederação: CONMEBOL
Classificação: Campeão da Copa América 2015
Retrospecto: Primeira participação

Em Copas do Mundo
Melhor participação: terceiro colocado
Participações: 9


MÉXICO

Confederação: CONCACAF
Classificação: Campeão da Copa Ouro 2015
Retrospecto: seis participações (campeão em 1997)

Em Copas do Mundo
Melhor participação: chegou as quartas-de-final
Participações: 15


NOVA ZELÂNDIA


Confederação: OFC
Classificação: Campeão da Copa das Nações 2016
Retrospecto: três participações (oitavo colocado em 2009)

Em Copas do Mundo
Melhor participação: não passou da fase de grupos
Participações: 2


PORTUGAL

Confederação: UEFA
Classificação: Campeão da UEFA Euro 2016
Retrospecto: Primeira participação

Em Copas do Mundo
Melhor participação: terceiro colocado
Participações: 6




CAMARÕES


Confederação: CAF
Classificação: Campeão da Copa das Nações Africanas 2017
Retrospecto: duas participações (vice-campeão em 2003)

Em Copas do Mundo
Melhor participação: quartas-de-final
Participações: 7


Campeões






Transmissão de TV no Brasil



A competição terá cobertura da TV Globo, mas quem transmitirá na íntegra será a TV Bandeirantes em TV aberta. Na TV fechada, a transmissão ficará por conta do SportTV.

Sobre


Copa das Confederações da FIFA Rússia 2017

Nome oficial: FIFA Confederations Cup Russia 2017
Participantes: 8
Período: 17 de junho a 2 de julho
Estádios: 4 (Estádio de São Petersburgo, Kazan Arena, Estádio Spartak e Estádio Olímpico de Fisht)
Jogos: 16
Regulamento: As 8 equipes são dividas em 2 grupos, com quatro times. As equipes do grupo se enfrentam. As duas melhores colocadas, avançam as semifinais. Os derrotados na semifinal, enfrentam-se pelo terceiro lugar. Os vencedores, disputam o título. 
Atual campeão: Brasil




Grupos


Grupo A: Rússia, Nova Zelândia, Portugal e México

Grupo B: Camarões, Chile, Austrália e Alemanha



***

Com ou sem Brasil, vale a pena acompanhar a Copa das Confederações neste ano por conta da curiosidade. Em um torneio que a Alemanha está presente, apenas o México já levou o título anteriormente. Além disso, tem a estigma ruim da competição de um campeão nunca ter ido bem na Copa do Mundo seguinte. Sem contar a participação da forte equipe alemã e do craque português Cristiano Ronaldo, que acaba de ser bicampeão europeu com o Real Madrid e surpreendeu o mundo ao conquistar o título da Euro ano passado.

Além de tudo isso, é um importante teste para a Rússia, em meio a conflitos políticos e na luta contra o terrorismo, que mantém os organizadores em alerta máximo. Torcemos para que nada de ruim aconteça. 

Leia Também