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Esporte Interativo briga por espaço na TV fechada; disputa faz bem ao mercado

Há quase dez anos como canal independente, o Esporte Interativo vive o maior momento de sua curta história. Marcada por transmissões de futebol internacional (na época, graças ao sublicenciamento de quem detinha os direitos), o canal cresceu e hoje tem ao lado o poder do grupo Turner (hoje, detentora majoritária do EI no Brasil). Isso reforça o poder de barganha do canal criado pelo grupo Top Sports. O primeiro grande passo foi ter tirado a Liga dos Campeões da Europa dos canais ESPN, este que mantinha soberania quanto às transmissões do futebol internacional e já se viu ameaçada com a chegada, há quatro anos, dos canais Fox Sports. O principal torneio de clubes da Europa foi conquistado com exclusividade em mídia fechada pelos canais Esporte Interativo pelo próximo triênio. O resultado disso foi a entrada dos canais na operadora Net, uma das principais do Brasil; luta esta que o canal trava desde o seu início.



Para analisar o que representa a entrada do Esporte Interativo entre as maiores emissoras esportivas do país, é preciso fazer um retrospecto do que já aconteceu no mercado televisivo brasileiro. O primeiro canal esportivo do país foi o lançado pela Globosat o, na época, TopSports (hoje, SporTV). Logo depois nasceria a TVA Esportes, que se tornaria a ESPN (e suas derivadas, International e Brasil). Atualmente, além destes canais, BandSports e Fox Sports são outros canais segmentados de Esporte. No surgimento da TVA Esportes/ESPN Brasil também havia um entrave para transmissões de partidas nacionais junto com o SporTV. Sendo que, como uma havia fechado acordo com um determinado número de clubes e a outra, com o restante, algumas partidas simplesmente não tinham televisionamento (segundo a lei nacional, para uma partida ser transmitida, é necessário que os dois clubes em campo estejam de acordo com isso). Houve, na época, uma disputa judicial bastante polêmica envolvendo o tema.


O surgimento da TV paga no Brasil ajudou os clubes a arrecadarem mais. Em virtude dessa disputa no final dos anos 90, os times viram seus direitos pagos subirem a preços jamais visto. Com o montante que a TV paga ganha graças as assinaturas e aos patrocínios, nada mais justo.

Mais de dez anos depois, o grupo Fox lança no Brasil o canal Fox Sports, e provocou outro rebuliço na TV fechada (este afetando também a TV aberta). Líder no segmento esportivo na América Latina, o Fox Sports é responsável pela transmissão da Copa Libertadores da América (principal torneio entre clubes da América do Sul). Assim, para ter grande audiência e gerar repercussão, o canal tinha a exibição exclusiva em todas as mídias da competição. No primeiro ano, a TV Globo conseguiu dois jogos por semana na competição. Em troca, cedeu ao canal o sublicenciamento da Copa do Mundo e Olimpíada; além da Copa do Brasil e VT do Campeonato Brasileiro. Na TV fechada, o SporTV (que transmitia a Libertadores antes da chegada do Fox Sports) não exibiu a competição em 2012. Justo na conquista corintiana, o "canal campeão" ficou de fora da cobertura, voltando no ano seguinte.

E isso é só um pedaço do que já aconteceu. Mais recentemente, o Sports+ (antigo Sky Sports, da operadora Sky Brasil) foi outro que provocou bastante repercussão quanto a direitos de exibição. O canal mantinha acordo para transmissão do Campeonato Espanhol, junto a ESPN Brasil. A Ancine entrou no meio e acusou irregularidades na existência do Sports+. Há algum tempo, o canal deixou de existir.

A era do Esporte Interativo acontece num momento em que as novas mídias ganham cada vez mais espaço. Os serviços ondemand e streamings de vídeo são as novas sensações da vez. Mesmo com a queda no número de assinantes de TV paga, esta alcança números de audiências que competem com alguns canais de TV aberta.

Para 2019, o Esporte Interativo está próximo de anunciar o acordo para transmitir os jogos de cinco grandes clubes do futebol nacional. O SporTV/Globosat já fechou com alguns outros. Ou seja, os clubes tem condições de negociar por preços que são justos, vide a competição entre os canais que está tendo. E isso é bom para o mercado. É bom para o torcedor também. Um dos argumentos que o EI está usando é justamente dar poder aos clubes em decidir o melhor horário para jogar (ao contrário da concorrente que obriga a realização de partidas em horários ruins - depois das 22h, por exemplo, que, no término das partidas, muitos torcedores ficam sem condição de voltar para casa).


Ainda tem muita coisa para acontecer. Agora, é esperar e torcer para que saia algo bom de tudo isso. O Esporte Interativo consegue o que a ESPN, por exemplo, desistiu de fazer há quase uma década. Mas pode ser que, no meio de tudo isso, pode pintar algo bom para o canal da Disney e até mesmo para o dos Murdoch.

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