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Seleção cada vez mais desprestigiada

No dia 9 de julho de 2014, feriado na capital paulista, o clima no centro da cidade pela manhã era de desilusão. É bem verdade que, pelo tempo fechado e pelo feriado cair numa quarta-feira, o número de pessoas nas ruas pela manhã seria bem menor. Por todo o dia, o clima 'feio' dava as caras na capital paulistana. Assim como a sensação de "luto". Na capa do diário Lance! a tentativa de mostrar toda a surpresa do torcedor com o quê havia acontecido na tarde anterior em Minhas Gerais. Palavras de vergonha e revolta tomavam lugar das imagens ilustrativas (a capa do dia foi de fundo branco, com espaços para o torcedor expressar, por conta própria, quais palavras seriam ideais para o vexame; explicar o inexplicável: esse foi o Lance! do dia 9 de julho). Nunca antes (se aconteceu, é raro) uma equipe de futebol levou tantas notas baixas por sua atuação em 90 minutos de peleja (com alguns "0's"). Por outro lado, as notas "10" dos jornalistas reverenciavam uma equipe que dali a quatro dias, conquistaria o tetracampeonato mundial de futebol. Em quase vinte anos de um projeto pioneiro no Brasil, o diário Lance! teve esta como uma edição histórica.

O sete a um da semifinal da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 será levada para todo o sempre com a Seleção Brasileira. É história. História nunca morre. Já faz quase dois anos. Os jogadores que entram em campo depois do vexame no Mundial carregarão para sempre esse peso nas costas. Afinal, para amenizar e tirar a dor do torcedor, não basta "jogar bem", tem que ser o melhor (conceito que deveria estar na cabeça dos jogadores e clubes em todas as partidas, competições...). Os efeitos disso já são sentidos há algum tempo.



Institucionalmente, a Seleção Brasileira vive também o seu pior momento em mais de cem anos de história. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) tem seus principais dirigentes envolvidos em escândalos absurdamente grandes. Os atuais, mesmo que tentem de tudo tirar o "corpo fora", se enrolam nas explicações e vivem com medo dos agentes de polícia (os "japoneses da federal" lá dos EUA). Tanto que nem viajar eles podem mais. Ou seja, por todos os lados, a seleção canarinho está abalada. Para dar a volta por cima, a reestruturação é necessária. Mesmo que seja preciso começar do zero (aí, literalmente: mandar todos os grandes chefões do futebol embora e dar lugar a pessoas de melhor capacidade de pensar e organizar o esporte mais popular do país).

Depois do 7 a 1, a vida seguiu. O Brasil já perdeu um campeonato. Com a eliminação na última Copa  América, o Brasil ficará, depois de muito tempo, fora da disputa de uma Copa das Confederações. Bem, não é uma Copa do Mundo, mas participar desta competição é uma prova e preparação importante para o principal torneio do futebol.

E em 2016, para celebrar (celebrar o quê?) os cem anos da CONMEBOL, a Copa América Centenário será disputada nos Estados Unidos (a "casa" da Seleção Brasileira). A competição será mais uma prova de fogo para a seleção pentacampeã mundial. Mas não será dessa vez que o conceito do time com a torcida vai melhorar. A falta de prestígio do time trará consequências dentro de campo para o Brasil. Afinal, as cinco estrelas na camisa do país está cada vez mais manchada pela corrupção. Quem olha para o Brasil, vê os dirigentes corruptos; os jogadores mercenários; os jogadores de empresário (estes que estão aos montes nas categorias de base e seguem os passos dos profissionais: vexame atrás de vexame); o filho de jogadores aposentados; os patrocinadores que, mesmo em momento de crise, lucram muito e, apesar do escândalo de corrupção, não rompem com sua parceira CBF (isso é um ditado conhecido: Diga-me com quem andas e te direi quem és!; ou, no caso, Diga-me quem patrocina e não usarei seus serviços nem comprarei seus produtos!). Quem vê a Seleção, vê o retrato de toda a politicagem que estraga vários órgãos e instituições no nosso país. A corrupção que mata gente todo dia; que destrói a natureza; e que nos envergonha internacionalmente. O anão diplomático e seus políticos/dirigentes decorativos.

Ganhar a Copa América esse ano não resgatará o orgulho com a Seleção. Nem de longe. A nossa grande prova era para ter sido 2014. Era aquele o momento. Mas passou. Se não acontecesse o Hexa (o que é extremamente possível, afinal, ganhar ou perder é do esporte), que não fosse daquela forma. Mais uma vez teremos a chance de amenizar tudo isso: o ouro olímpico é obrigação! Não que os bilhões investidos no projeto COPA+OLIMPÍADA terão "valido a pena" com a conquista, mas sair sem nada de positivo de tudo isso diminuirá ainda mais a autoestima do brasileiro em si.

Imagem destroçada: os sete gols da Alemanha em julho de 2014 foi um tapa na sociedade que sofre a cada dia. As consequências: dirigentes presos, investigação do FBI, queda de "impérios" dos ditadores em todo mundo (inclusive dentro da própria fofa da FIFA) e os escândalos (que tanto nos enojam) aparecendo feito mato em plantação por todo o canto. Em 2015, outra grande decepção. O jornal O Estado de S. Paulo (por meio do enviado especial Jamil Chade) escancarou: VENDERAM A SELEÇÃO! As provas que essa mina de ouro chamada Seleção Brasileira foi alvo de farra de dirigentes e empresários. E assim como todas as outras notícias, foi o nosso "7 a 1" de todo dia.


Que os 7 a 1 sirvam de lição. Mais do que vergonha na cara, esperamos que todos esses corruptos e ditadores sejam presos.Isso é o que o Brasil precisa.  Em todos os campos. E é assim que, aos poucos, buscamos, pelo menos, diminuir essa desvantagem.

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