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Não percamos o Bom Senso

Impulsionados pelas Jornadas de Junho de 2013, em que milhares de brasileiros foram as ruas mostrar descontentamento com a política nacional, um grupo de jogadores renomados do futebol brasileiro criaram movimento que mexeu com os organizadores e teve grande apoio da imprensa e dos torcedores. O Bom Senso FC surgiu e mostrou que muitos jogadores estão engajados em mudanças de verdade para o bem do futebol nacional. De lá para cá, mudanças deram grande impacto no esporte no Brasil.


Na época da criação do movimento, houve até rumores de que os jogadores fizessem uma greve no Campeonato Brasileiro. Paulo André, um dos líderes do movimento, se arrepende de não ter seguido em frente com a paralisação, que com certeza teria grande impacto e visibilidade mundial. Em entrevista para a Folha de S. Paulo, o jogador comentou sobre os legados do movimento e explicou os novos caminhos que o Bom Senso tomará depois de três anos de atividade.



O Bom Senso deixará sua cara de uma "revolta de atletas", e passará para um lado mais "corporativo". O que, até certo ponto, pode ser ruim, mas que decisão não surpreende. Afinal, são os jogadores que movimentam o esporte. Se as confederações dependem dos clubes para êxitos publicitários e de visibilidade dos torneios, os clubes, por sua vez, dependem dos atletas, e não o contrário (pelo menos, na teoria).


Como sempre, o que acontece é que os jogadores ficam à mercê de seus dirigentes. Isso é resultado de uma falta de consciência política em grande maioria dos atletas. Paulo André, no Facebook, fez uma crítica a estes jogadores: "Por diversas vezes já lamentamos a falta de engajamento dos atletas de destaque do futebol nacional e a falta de interesse dos "nossos" atuais ídolos, tão preocupados com suas redes sociais", escreveu. Importante lembrar que, em junho, Neymar chamou de "babaca" quem criticava a Seleção Brasileira, após eliminação na primeira fase da Copa América.

O trabalho que o Bom Senso desempenhou foi extremamente significativo, principalmente pela mobilização inédita de atletas. Tivemos, inegavelmente, melhoras no futebol nacional. Seja a redução de datas obrigatórias para os grandes clubes, seja o número mínimo de partidas para os pequenos (que ficam grande parte do ano sem partidas). Além disso, o próprio Campeonato Brasileiro teve mudanças importantes.

 Aquele histórico Bom Senso de 2013, sentado no gramado, de braços cruzados, já não existe mais. Um outro, mais organizado, com pautas definidas e equipe de trabalho, funciona desde 2014, com menos holofotes e mais resultados práticos, como o Profut em 2015. Mas o segundo, sem a participação dos principais atletas do país, não faz nenhum sentido, não tem razão de prosseguir.

— Paulo André, no Facebook, sobre os rumos do movimento

Por outro lado, a instauração da CPI do Futebol na Câmara está próxima de seu fim decretado de forma melancólica, e sem grandes resultados. O presidente da Câmara prorrogou a data de término. Mas, ainda assim, os resultados foram poucos. Cabe sempre ficar de olho nestes momentos e fiscalizar o que acontece. Deixar os criminosos impunes é um grande perigo à sociedade. Fiquemos atento à CPI do Senado também.


Mas a luta não pode parar. O futebol é um patrimônio importantíssimo da nossa cultura. Na realidade, o esporte como um todo é. Em ano olímpico, o Brasil se contentar em ficar fora dos dez melhores países em medalhas, é decepcionante. Tamanho, economia, população e outros fatores poderiam fazer do nosso país uma potência olímpica.

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Assim como dar assistência ao futebol que é visto do grande público e aquele que não é (de menor expressão), o movimento também deve atentar-se ao futebol feminino, que há anos implora por um projeto eficiente dos nossos gestores. As meninas que lutam por espaço, o fazem convivendo com muitas dificuldades. 

O posicionamento de Paulo André no Facebook sobre a continuidade do Bom Senso:



Ainda há muito o que melhorar. Esperemos que não haja, única e exclusivamente, só bom senso, mas também ação e resultados. Que melhore o nosso esporte e, como diz o slogan do movimento, seja para construir um futebol melhor para todos. Torçamos para Del Nero viajar (e, quem sabe, ser chamado para esclarecer seus atos e ligações ilícitas). O futebol agradece.

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