Uma visita diferente ao Museu do Futebol | #OALANBRADO

Uma visita diferente ao Museu do Futebol

Quem mora em São Paulo (ou visita a cidade) e gosta de futebol tem a "obrigação moral" de conhecer o Museu do Futebol e o Estádio do Pacaembu. Um dos marcos futebolísticos da cidade, o estádio municipal guarda características do futebol antigo (a época "romântica") e da era mais moderna. Já o museu, inaugurado em 2008, é uma das opções culturais de maior prestígio em São Paulo. 

A organização sempre traz novidades. No mês de julho, época de férias escolares, por exemplo, muitas atividades para as crianças marcam a visita. Além disso, exposições temáticas e eventos futebolísticos são frequentes



Para acompanhar o encontro do MemoFut, grupo destinado à memória futebolística, #OAlanbrado visitou o Museu mais uma vez e traz a seguir uma análise do evento e da exposição em si. Para quem gosta de história esportiva, tanto o fantástico e enriquecedor encontro do MemoFut (que contou com a participação de nomes importantes e grandes conhecedores do futebol), quanto o museu são grandes oportunidades para reverenciar a história do tão querido esporte bretão.

Museu


Inaugurado em setembro de 2008, o Museu do Futebol é um dos principais espaços de memória esportiva do país. O futebol é o esporte mais popular no Brasil e sua história pentacampeã mundial se confunde com a do próprio país, indo de cultura a política. Há mais de um século, o esporte trazido da Inglaterra se popularizou nos grandes centros e acumulou adeptos em todo o país. Contar esta história vai muito além de um livro. As imagens, gravações e demais histórias são ricas e ajudam a qualquer apaixonado a entender o porquê, no Brasil, o futebol é muito mais que um simples esporte.

Além do preço acessível (nos sábados, aliás, a entrada é gratuita), o museu é localizado no coração da cidade, na região do Pacaembu. Fica ao lado da Avenida Paulista (a mais famosa avenida da cidade) e é de fácil acesso, próximo de estação de metrô.

Logo de cara, muitas informações. Brasões, flâmulas, fotografias, peças de colecionador são estampadas pouco depois da catraca de entrada do museu. É praticamente impossível acompanhar e ler tudo de tudo. Apesar disso, já dá para entrar no clima: começa o mergulho pela história do futebol!


 O museu fica abaixo das arquibancadas do Estádio do Pacaembu (o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho). Inaugurado na década de 1940, foi um dos estádios da Copa do Mundo de 1950 e recebeu grandes jogos do futebol paulista. Foi palco dos grandes clubes de São Paulo, sendo que, até há pouco tempo, era a "casa" do Corinthians, antes da equipe construir seu estádio em Itaquera.

Momentos do estádio que mereceram placas. Expressão "Gol de Placa" foi ideia inicial do jornalista Joelmir Beting, que, ao comentar gol espetacular de Pelé no Maracanã, classificou o tento como digno de placa


Além do museu, há uma área poliesportiva, com quadras e piscina. Todos os anos a final da Copa São Paulo de Futebol Jr. (principal torneio de categoria de base do Brasil e organizado pela Federação Paulista de Futebol) é disputada no Pacaembu.



A estrutura do museu é dividida em algumas categorias. Começa homenageando grandes craques do futebol brasileiro. É importante frisar que não é só o masculino, mas também o feminino, com destaque para Marta, a única atleta eleita melhor do mundo pela FIFA cinco anos consecutivos.



Logo depois, é a vez dos radialistas. Para quem é fã do rádio, poder ouvir grandes nomes do microfone esportivo é um grande momento. Como Osmar Santos, o "Pai da Matéria", o maior radialista esportivo do país. Não tem como não se emocionar.



Na seção dedicada às Copas do Mundo, painéis divididos pelas décadas traçam um panorama sobre cada Mundial de Seleção. Da Celeste Olímpica em 1930 até a decepção brasileira em 2014. Em cada ano, os avanços e terrores da humanidade em quase um século de disputa. Os grandes artistas, os feitos fora de campo... Tem até um dedicado para Silvio Santos, o maior comunicador de TV do Brasil.

Ainda tem uma parte dedicada para números. Números de tudo. Para delírio de quem gosta de estatísticas e tudo mais. Tem até uma mesa de pebolim. Nesta parte há um acesso para ver o gramado do estádio do alto.

Andando mais um pouco, tem a sala do CRFB. O Centro de Referência do Futebol Brasileiro é um acervo do museu com revistas, livros e publicações sobre futebol. Há um site na internet em que as publicações disponíveis estão catalogadas. http://dados.museudofutebol.org.br/

Enfim, há muita coisa. E muito mais do que isso. Existe ainda um Chute a Gol para você testar a potência do seu chute. Para ver tudo, é mesmo bacana comparecer ao museu.




Lembrando que, por ser véspera de Jogos Olímpicos, houve várias referências as Olimpíadas e a participação do futebol. Esta parte será destacada em um especial na cobertura que #OAlanbrado fará durante RIO 2016.





 #Serviço

Museu do Futebol
Praça Charles Miller, S/N
Estádio do Pacaembu
Terça a sexta, das 9h às 17h (bilheteria até as 16h); sábados, domingos e feriados, das 10h as 18h (bilheteria até as 17h) — consulte o site para horários diferenciados em dias de jogos no estádio.
Ingressos: R$ 9,00 (meia entrada: R$ 4,50). Aos sábados a entrada é gratuita.
São Paulo - 11 3664-3848
contato@museudofutebol.org.br
www.museudofutebol.org.br

Há a versão virtual do museu no Google, no projeto Google Arts & Culture.

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Encontro MemoFut


A 79ª Reunião do MemoFut - Grupo de Literatura e Memória do Futebol foi realizado no Auditório Armando Nogueira, no Pacaembu. As três palestras e debates renderam muito conhecimento, informação, curiosidades e boas conversas. Para #OAlanbrado, rendeu também um livro, afinal, no final do encontro, foi feito um sorteio, e, pela primeira vez, o nosso número saiu!


E gostamos muito do nosso prêmio. Em clima olímpico, o livro Olimpismo no Brasil: medalhas e classificações (Aristides Almeida Rocha e Henrique Nicolini; Phorte Editora, 2008), é um almanaque detalhado sobre Olimpíadas e traz uma visão bem legal sobre as participações brasileiras nos Jogos até Atenas 2004.


O evento começou cedo. Chegamos na metade da primeira palestra (Clube Atlético Ypiranga - 110 anos de vida, 52 anos de futebol). Dedicado ao Ypiranga (clube de futebol do bairro paulistano de mesmo nome da primeira metade do século passado, incomodou os grandes e que hoje é clube social) O pesquisador Sérgio Miranda Paz abriu a apresentação falando das origens do clube, dos grandes feitos e da participação dos jogadores importantes, como Friedenreich, a primeira grande estrela do futebol brasileiro.




O jornalista esportivo, comentarista dos canais ESPN, professor da Cásper Líbero e um dos idealizadores do Loucos por Futebol/3Loucados, Celso Unzelte, também esteve presente para falar do Ypiranga. E não só ele. Toda a família. O pai, inclusive, era torcedor do clube, estava vestindo, assim como Celso e o filho do jornalista, a camisa do Ypiranga, e deu um relato muito bacana sobre o goleiro Barbosa, goleiro que atuou também no Vasco da Gama e que esteve na Copa do Mundo 1950, no vice-campeonato mundial, sendo bastante criticado e marcado pela derrota na decisão.

Além disso, o filho de Celso Unzelte cantou o hino do time. A esposa e a filha do Celso também estiveram no encontro. Todos extremamente simpáticos e prestativos. Na conversa, Celso pediu para compartilhar entre os amigos o 3Loucados, após comentarmos sobre o quanto o canal é legal. #OAlanbrado já fez uma análise do canal, que é um dos mais legais da internet.


Muito gentil, Celso Unzelte aceitou tirar uma selfie
 A segunda apresentação do dia foi mais curta. Uma "palestra-pílula" de Max Gehringer, administrador de empresas, escritor e comentarista. De forma rápida, leve e bem divertida falou sobre Hinos. Curiosidades sobre as letras e canções que representam os países. Como o mais longo, o mais curto, o que não tem letra, os diferentes do comum. Como o do Paraguai e Uruguai que tem uma semelhança bem curiosa: foram feitas pela mesma pessoa. Além disso, o da Estônia e da Finlândia que tem a mesma melodia.

O último encontro foi um debate sobre um dos grandes nomes do jornalismo esportivo no Brasil da história. Thomaz Mazzoni foi o tema da conversa, que reuniu no palco o historiador Cesar Oliveira (idealizador do projeto Biblioteca Digital do Futebol Brasileiro), Rafael Silva (que estudou a história de Mazzoni para uma tese de doutorado) e Ricardo Mazone (parente do jornalista).



Thomaz Mazzoni está na história da imprensa esportiva brasileira. Em seus anos em A Gazeta (e edição Esportiva mais adiante), foi, junto com Cásper Líbero, um dos que propagaram o esporte na cidade, idealizando eventos e fazendo dos clubes de futebol mais próximos do povo (foi ele que deu mascotes aos clubes da cidade e nome aos clássicos entre os grandes da cidade).


O debate foi em torno do livro "Flô - o Goleiro Melhor do Mundo", escrito por Thomaz Mazzoni, e que será relançado.

Ainda, na plateia, o colunista Mauricio Stycer também esteve presente. Stycer escreve para o portal UOL e tem uma coluna semanal na Folha de S. Paulo. Escreveu um livro sobre jornalismo esportivo, em que cita Mazzoni e sua participação para a história da imprensa esportiva no Brasil.



A história do Ypiranga, hinos de futebol e a contribuição de Thomaz Mazzoni para o jornalismo são dignos de grandes análises e reflexões. As horas do evento organizado pelo MemoFut neste sábado e realizado no auditório do Pacaembu deixam o fã de futebol cada vez mais apaixonado pelo esporte. Sempre há reuniões do MemoFut. É possível acompanhá-los nas redes sociais e ficar por dentro dos próximos encontros. Além delas, há trocas de itens de colecionador, lançamentos de livros, etc.

Ganhamos um livro, a oportunidade de conhecer grandes nomes e personalidade, além de ouvir e aprender com pessoas que viveram o futebol em sua época de ouro e romântica. Ou seja, não foi uma qualquer visita ao Museu do Futebol. Foi muito mais que isso.


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