As perspectivas do COB por medalhas brasileiras | #OALANBRADO

As perspectivas do COB por medalhas brasileiras

Para um país do tamanho do Brasil, a posição em que estamos no cenário esportivo mundial é vergonhosa. Atletas disputam competições nacionais e internacionais com pouco apoio e com estrutura deficiente frente as grandes potências mundiais. É bem verdade que houve avanços, porém, mesmo assim, esportes sem visibilidade contam apenas com a força individual do esportista que lutam para conquistar bons resultados. 

O nosso desempenho durante a história das Olimpíadas é pífio. Mais do que carência de grandes nomes, o que prejudica as aparições brasileiras nos Jogos é a precária estrutura para práticas esportivas e a falta de uma eficiente formação de atletas. 

Os Estados Unidos, por exemplo, só são o que são (supercampeões olímpicos e cheio de grandes talentos) por conta de uma visão esportiva clara, que sabe da importância do esporte na vida das pessoas, tanto social quanto culturalmente.

Tomaz Silva/Agência Brasil

Em compensação, não falta verba. Desde que foi sancionada em 2001, a Lei Agnelo/Piva destina 2% da arrecadação da loteria esportiva para os esportes olímpicos. Deste valor, é dividido entre esportes olímpicos e paralímpicos, além de verba destinada na formação em escolas e universidades. A receita é recolhida pelas confederações e são dividas por desempenho alcançado (o que é, até certo ponto, injusto com modalidades não tão fortes). 


De lá para cá, foram alcançados resultados médios nas Olimpíadas. Em 2008 nos Jogos de Pequim, o Brasil ficou pela primeira vez entre os vinte primeiros colocados no quadro de medalhas. Em 2004, conquistamos cinco ouros, o maior número de vezes que o país subiu no ponto mais alto do pódio.

Ou seja, os resultados aos poucos são conquistados. Esportes como o judô e vôlei (este, com forte apoio de patrocinadores e o segundo mais popular esporte do país) consolidam-se como força do nosso esporte. De um modo geral, os resultados seguem passos lentos. 

O nadador Leonardo de Deus disse após aclassficar-se para a semifinal dos 200m borboleta no Rio 2016: "Por tudo o que foi investido, pelo governo federal, merecemos fazer mais. Ainda não veio medalha e tivemos poucas finais". O que é verdade neste esporte. Em outros a situação não é tão positiva. Os resultados obtidos pouco tem do apoio do governo. Os atletas campeões, muitas vezes, conseguem se manter com a ajuda de ONG's ou com recursos próprios.

A formação de atletas segue precária e as perspectivas são baixas para o nosso real potencial (considerando paixão nacional pelo esporte, sermos um país jovem e com uma das maiores populações do planeta, além de ter uma economia, até pouco tempo, emergente).

Se analisarmos toda a história, veremos casos absurdos do total descaso do governo com os atletas: delegações que tiveram que levar café para poder ir aos Jogos; a nossa primeira medalha, conquistada pela gentileza de americanos; Aida dos Santos, que, negra, pobre e nascida na favela, chegou muito perto de medalha inédita para o país, sem ter o menor apoio do governo, que, em 1964, acabara de dar o golpe militar. Ao chegar no país, Aida foi recepcionada como herói. É fácil acolher depois do resultado.


Todo mundo falava que eu não ia conseguir. O que eles não sabiam é que esse tipo de comentário me engrandece. Tive esta conquista sem técnico e, na volta ao Brasil, tinha até Corpo de Bombeiros me esperando. Mas o apoio de que eu precisei, muito antes disto, não me deram. Por isso dispensei a festança.

— Aida dos Santos, em entrevista ao O Globo


As coisas, até certo ponto mudaram. O esporte foi conquistando importância e voltamos a sonhar alto. Até o início dos Jogos Rio-2016, a perspectiva do Comitê brasileiro era que terminássemos os Jogos no Top 10. Pelos primeiros dias dos Jogos, essa meta vai ficando distante. A expectativa inicial era de 24 a 27 medalhas. Rio-2016 tem a maior delegação brasileira da história.  


Pirâmide do COB


Modalidades olímpicas classificadas por potencial de conquistas
(as modalidades foram recolhidas por informações disponíveis na internet; a classificação completa dos esportes não é divulgada pelo COB)

Categoria: VITAIS
Esportes que conseguem bons resultados historicamente
Vôlei de Praia
Vôlei
Natação
Futebol
Judô

Categoria: POTENCIAIS
Esportes que podem buscar medalhas
Boxe
Ginástica
Maratona Aquática
Canoagem

Categoria: CONTRIBUINTES
O COB apoia, mas os resultados são incertos
Hipismo
Tiro com Arco
Tênis

Categoria: LEGADO
Apostas do COB para o futuro
Polo Aquático
Basquete
Tiro
Remo
Atletismo
Esgrima
Taekwondo
Entre outros...







É OURO Primeira medalha dourada do Brasil nos Jogos Olímpicos 2016 veio do Judô. Rafaela Silva é a dona do feito, e tem uma história inspiradora. Veio de origem humilde e chega de forma totalmente merecida ao ponto mais alto do pódio. A judoca fez o Brasil ouvir, pela primeira vez nos Jogos do Rio, o hino brasileiro ser executado para uma conquista olímpica. Esta é a segunda medalha brasileira em Rio 2016. A primeira veio sábado, com a prata Felipe Wu, no tiro esportivo. 

NARRAÇÃO HISTÓRICA Um momento histórico assim é mágico para qualquer profissional de mídia que trabalha nos Jogos. Pela TV Globo, Flávio Canto esteve ao lado de Cléber Machado para acompanhar o ouro brasileiro. Segundo o Portal Natelinha, as outras sete emissoras brasileiras transmitiram ao vivo o momento. A emoção tomou conta do SporTV. Sérgio Maurício (que havia emocionado o público também em 2012), narrou a conquista brasileira. Na Record, Marcos Leandro fez a transmissão; e Ivan Bruno, esteve no comando pela TV Bandeirantes. Na TV fechada, BandSports (com Celso Miranda) e Fox Sports (com Éder Reis) também acompanharam. O outro destaque fica para Dudu Monsanto (ESPN Brasil), com narração emocionada. Parabéns para todos eles. :)

TRISTE CONQUISTA No domingo, uma notícia chocou muitos torcedores na internet. Avó de Sinphet Kruaithong (tailandês) morreu após a conquista do neto da medalha de bronze no levantamento de peso. A avó, que estava muito feliz com a participação de Sinphet no Rio, acompanhava a disputa pela TV e teve uma parada cardíaca.  Segundo o G1, não se sabe se a causa do mal súbito se deu pela emoção ou se a avó do atleta já estava doente. Subin Kongthap tinha 84 anos. :´(


 

"Quero mostrar que uma criança que saiu da Cidade de Deus, com cinco anos, e começou no judô por brincadeira, hoje é campeã mundial e campeã olímpica. (…) “Essa medalha é para todo o povo brasileiro que veio aqui torcer, minha família, meus amigos, que vivem comigo diariamente.”

Judoca Rafaela Silva, campeã olímpica em Rio 2016. Ela chegou a conquista depois de passar por momentos difíceis. Rafaela tem uma história de superação e é a responsável pelo primeiro ouro brasileiro na Olimpíada em casa. A atleta ainda fez uma provocação aos racistas que a xingaram após a eliminação em 2012: "O macaco que tinha que estar na jaula hoje é campeão". Parabéns, Rafaela. Uma Silva que a estrela brilhou.
 




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