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Jogos do Rio é um marco da participação feminina nas Olimpíadas

A Olimpíada 2016 do Rio de Janeiro tem muitos feitos para já comemorar. É a edição com a maior participação de mulheres da história dos Jogos. Se levarmos em conta que desde as disputas da Antiguidade a presença feminina era vista com muito receio, e, mesmo na Era Moderna, já haviam preconceitos, Rio 2016 é uma edição que vai entrar para a história. Quase metade dos competidores inscritos são mulheres.

Mas é importante deixar claro: não é uma disputa entre homens contra mulheres. Um dos grandes problemas da nossa sociedade - e das discussões cibernéticas - é a fúria gerada entre pensamentos e posicionamentos diferentes. Em que grupos rotulados com visões contrárias odeiam ferozmente uns aos outros.

Comemorar a presença feminina nos Jogos Olímpicos - e os resultados obtidos até agora - é uma vitória do espírito esportivo e da humanidade como um todo (e por aqueles que lutam por uma sociedade igual).


A nossa torcida por quem está em campo, quadra, piscina, o que seja, vai muito além da questão de gênero, ressaltamos. A questão é que, em eventos de grande visibilidade, fica claro a forma como tratamos o esporte durante o ciclo olímpico. Com exceção do Vôlei, os esportes exibidos pelas grandes emissoras se restringem ao masculino.

Marta, que não gosta de ser comparada com Neymar, ainda busca o espaço que o futebol feminino merece

E isso é uma tendência não só apenas da TV ou dos demais meios. Sem visibilidade, a força dos patrocínios são voltados em massa aos esportistas do sexo masculino. Até nos Estados Unidos, em que o futebol feminino tem maior apreço que o masculino e gera mais receita, os ganhos de um frente ao outro é absurdamente desproporcional. 

 

A luta pela participação feminina 

 

Falar da participação das mulheres nos Jogos começa desde os Jogos da Antiguidade. As mulheres eram proibidas de participar. Sequer podiam entrar nos locais de disputa (a exceção, em alguns casos, das virgens). Quem descumprisse a ordem, poderia ser condenadas. Havia, entretanto, uma disputa paralela aos Jogos originais. Os Jogos Heranos (em referência a Hera, mulher de Zeus).
Quanto aos Jogos da Era Moderna, as mulheres também tiveram grande resistências quanto a sua participação. Mesmo o Barão Pierre de Coubertin era contra a participação feminina nos Jogos que havia tido a iniciativa de criar. Assim como os pobres e os profissionais (o francês pregava o amadorismo das disputas).

Na segunda edição dos Jogos (em 1900), houve as primeiras mulheres a participar da Olimpíada (foram 22). Foi no golfe e no tênis. A inglesa Charlotte Cooper venceu a primeira medalha olímpica para mulheres. A conquista veio no tênis.

A tenista, por sua vez, não soube da conquista. Os Jogos eram muito desorganizados. Mais de 80 anos depois, a família da esportista recebeu as medalhas (o Comitê dos Estados Unidos fez um levantamento sobre).

Aos poucos, as modalidades com participação feminina foram crescendo. Porém, o número só aumentou de verdade e houve uma maior atenção quanto a isso, na metade do século passado.

Em 1917, foi fundado a Federação Esportiva Feminina Internacional (FEFI), pela francesa Alice Melliat. Havia muito preconceito e muita resistência às mulheres. Em 1921, a federação organizou os Jogos Olímpicos Femininos (realizado em Monte Carlo). As edições se repetiram em 26, 30 e 1934. Com o sucesso da ação paralela, o COI, então, integrou as mulheres nas Olimpíadas. Conquistado o objetivo, a federação foi dissolvida.

Mesmo com os ótimos resultados e a atenção do público cada vez maior, o número de mulheres nunca foi maior do que o de homens na história dos Jogos. Em compensação, as mulheres representam mais da metade das delegações dos Estados Unidos (53%) e da China (61%). Além destas, outra grande delegação, a Austrália, também tem mais mulheres que homens na delegação.

Em 2016, 45% dos atletas são mulheres. 

A primeira mulher brasileira a participar dos Jogos foi Maria Lenk. Além disso, ela também foi a primeira mulher sul-americana a participar das Olimpíadas. A disputa foi em Los Angeles, em 1932. Outras muitas mulheres brasileiras também merecem destaques em sua participação que, com sua garra e luta individual, foram representar o Brasil nas disputas internacionais.

Com informações da Folha de S. Paulo, Trivela e o livro História dos Jogos Olímpicos, que pode ser baixado gratuitamente neste link.

FARIAS, Airton de. História dos Jogos Olímpicos. Editora Armazém da Cultura. 2016.



GRANDES NOMES Depois das derrotas de Djokovic (simples e duplas), o mundo do tênis viu outro grande nome não ir bem na Olimpíada. A americana Serena Williams perdeu para a ucraniana Elina Svitolina por 2 sets a 0. Por outro lado, Michael Phelps continua dando show. Ele conquistou nesta terça sua 21ª medalha de ouro na carreira (25 no total). 

QUE COR É ESSA? A piscina do Parque Aquático Maria Lenk ficou verde na tarde desta terça-feira. A causa, segundo os organizadores, foi devido a um "decréscimo no nível de alcalinidade".

SUSTO NO ÔNIBUS Um ônibus que levava jornalistas e voluntários dos Jogos foi atingido por uma pedra e teve o vidro estilhaçado, deixando dois feridos. Havia a suspeita de que fosse uma bala no ônibus, o que foi descartado pela segurança. Essa versão está sendo contestada por quem estava no ônibus.


As pessoas não gostarem do meu rendimento é um direito delas, eu até entendo. Todo mundo quer que um brasileiro suba num pódio. Nem todo mundo compreende a grandiosidade e a competitividade que é a natação mundial, o quanto que brigamos para chegar na final. Mas desejar que eu seja estuprada, que minha mãe morra,que um bandido me mate, que eu me afogue. Falar que a história da minha infância foi algo que inventei para estar na mídia, isso ultrapassa. As pessoas se sentem seguras por estarem atrás de um computador e eu aguentei por muito tempo. Eu falo muitas coisas que outros atletas não falam, eu aguento porrada, mas tem um certo limite. Quando vem para a história da minha infância, o desrespeito às mulheres, pelo fato de ser do Nordeste, aí vou ter que tomar medidas jurídicas. Todos os atletas merecem respeito
Joanna Maranhão, atleta brasileira. A nadadora vem recebendo críticas na internet, muito por conta do seu posicionamento político. Ela não conseguiu medalha, mas é um dos principais nomes do país na disputa. Na entrevista ao SporTV, ela também pediu para que parassem com as mensagens de ódio que são escritas para ela. Os pontos da entrevista podem ser vistos no Globoesporte.com.

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