Luciano do Vôlei: A Olimpíada que não foi | #OALANBRADO

Luciano do Vôlei: A Olimpíada que não foi

Ele esteve presente em nove coberturas olímpicas. Foi um dos principais narradores esportivos da TV brasileira. E, principalmente, um dos maiores entusiastas e incentivador do esporte e dos atletas brasileiros. Luciano do Valle é um dos grandes profissionais da crônica esportiva do Brasil. Ajudou a popularizar esportes como o boxe, o basquete e, em especial, o Vôlei. Foi também um dos que mais acreditou no futebol feminino. Em momento de Olimpíada no Brasil, é válido relembrarmos sua trajetória e sua contribuição para o esporte.

O Brasil não é uma potência esportiva, é bem verdade. Mesmo assim, os feitos alcançados até hoje são lembrados por muitos como histórias de superação sob a falta de incentivo por parte do governo e da grande mídia. Luciano do Valle acreditava no poder do esporte e sabia que o brasileiro poderia acompanhar qualquer modalidade, além do futebol, e ser grande nisso.

O Vôlei, hoje segundo esporte do brasileiro, começou a surgir no gosto popular após as ações do narrador. Ele teve iniciativa e conseguiu colocar 95 mil pessoas no Maracanã para assistir ao Grande Desafio de Vôlei, numa partida memorável entre URSS x Brasil (que fora vice campeão mundial em 1975). Este público viu, em uma noite chuvosa no Rio de Janeiro, a vitória brasileira, naquele que foi o maior público para um esporte olímpico em todos os tempos. 

Ao final da transmissão, Luciano agradeceu ao apoio de todos aqueles que acreditaram naquele desafio. Ele pediu um diálogo mais aberto em favor da modalidade. Queria marcar que aquele 26 de julho de 1983 teve  a partida que mexeu com o público e com a imprensa do mundo, para mostrar que o Brasil estaria figurando entre os principais do esporte mundial. Aproveitou para cutucar aqueles que boicotaram a partida (a Globo ignorou, por seus meios, o jogo).

O narrador encerra dizendo: "Nós encerramos este primeiro Grande Desafio. Novos virão. E nós estamos sempre ao lado do esporte brasileiro. Com chuva, sem chuva. Com vontade, com maldade, com o que quer que seja. Estaremos, sim. Acredite naquilo que estamos vivendo". 


A partir de então, o Vôlei se profissionalizou e atingiu níveis altíssimos. Atualmente, o nosso vôlei é o melhor do mundo, conquistando excelentes resultados e sendo temido pelos adversários. A cada geração, nasce novos brilhantes jogadores. Além disso, a estrutura para as competições é algo pouco visto nas demais modalidades. Aliás, o vôlei, em 1992, foi o responsável pela primeira medalha de ouro brasileira nas Olimpíadas.



E não foi só com o Vôlei. Luciano do Valle apresentou Maguila ao mundo. E conquistou a audiência com o boxe e suas grandes coberturas. Apostou também em esportes e competições totalmente diferentes da nossa cultura, como a NBA, com o melhor basquete do mundo, e o futebol americano. Hoje, via internet e TV por assinatura, as duas modalidades alcançam milhões de fãs em todo o país.

Sua primeira Olimpíada foi em 1972, pela TV Globo. Decepcionou-se com o resultado obtido frente às grandes potências esportivas. Na emissora global, foi o locutor esportivo principal, dando a voz as partidas da Seleção Brasileira na Copa de 1982, na Espanha (aquele que é considerada uma das melhores equipes de todos os tempos). 

Foi para a  TV Record (canal onde organizou o desafio de Vôlei no Maracanã). Idealizou projetos como empresário em favor do esporte. No canal, deu passos ao que seria, tempos depois na TV Bandeirantes, o "Show do Esporte" (marco de transmissão esportiva na TV brasileira). 

Em 1983, mudou-se para, o que pouco tempo depois seria apelidado, o Canal do Esporte. Nos domingos, 10 horas seguidas eram dedicadas a programação esportiva. Ia das 10h e encerrava as 20h, em uma época em que os canais segmentados ainda não existiam. O programa dava foco a diversos esportes e esportistas.

No canal do Morumbi, do Valle narrou muitos esportes. Foi o principal narrador da emissora. Narrou no futebol Copas do Mundo e Olimpíadas. Transmitiu também campeonatos europeus de futebol. Foi a voz do Corinthians em TV aberta no Mundial de Clubes da FIFA 2000 (a Band exibiu com exclusividade). Anos depois, no retorno à Band após uma passagem pela TV Record, esteve no Japão para transmitir o bicampeonato mundial corintiano.

Um outro legado de Luciano foi quanto ao futebol feminino. Criou campeonatos e sempre esteve divulgando nossas atletas. Transmitiu mundiais e Olimpíadas, dando foco as nossas meninas. Foi idealizador do Torneio Cidade de São Paulo de Futebol Feminino (realizado no final do ano, que entrou para o calendário do futebol para as mulheres). 

Teve momentos de dificuldades no microfone. No final da sua carreira, teve que enfrentar muitas críticas. Por problemas de saúde, já não era mais o mesmo. Errava nomes e tinha algumas dificuldades para narrar. 

Esteve na narração do título da Seleção Brasileira, no Maracanã, em 2013, da Copa das Confederações. 

Em setembro de 2013, foi entrevistado pelo Bola da Vez, da ESPN Brasil. Nela, esteve a frente dos profissionais da emissora e falou da sua trajetória, da sua experiência profissional e do seu incentivo ao esporte. Na última pergunta, foi questionado sobre qual o seu legado e suas pretensões para o futuro. Ele respondeu:

"Eu te confesso que não sei. Eu não sei [sobre o que fazer no futuro e qual seria o legado da sua profissão quando parar: a emoção, o caminho até então ou a divulgação de esportes para o público]. Faz parte da minha vida, entendeu? Vai ter que parar, lógico. Todos nós somos humanos, né? Eu gostaria de fazer parte da parte de organização. Se eu pudesse colaborar com alguma coisa. Seja lá a modalidade que for. Porque eu acho que no Brasil a gente não tem ainda profissionais das áreas que você viveu, vivenciou. Tem muito curioso. Então, acho que, durante 50 anos, eu participei de dez Olimpíadas (essa vai ser a 11ª Copa e a 11ª Olimpíada). É impossível que eu não tenha aprendido alguma coisa. É impossível que eu não tenha nada para passar. Conversar com as pessoas. Sou um estudioso. Eu vejo esporte todo dia. Eu converso muito com a garotada lá na Band. (…). Então, eu acho que não dá para você parar: 'Paro! Não fala mais nada'. Não tem graça. Tem que ter uma sequencia. Eu não sei qual é a sequência.

Eu espero fazer a Copa do Mundo. Eu espero fazer a Olimpíada. Aí já são mais três anos. Sei lá eu, depois... Um dia eu volto aqui e conto para você. [risos]"



Em abril de 2014, narrou a final do Campeonato Paulista pela TV Bandeirantes, com a vitória do Ituano sobre o Santos. Ao viajar para Uberlândia para a primeira rodada do Campeonato Brasileiro, sofreu um infarto e não resistiu. Morreu aos 66 anos. Desde então, a Bandeirantes não encontrou um substituto e abandonou o projeto de futebol nacional (deixou de exibir campeonatos e enxugou equipe esportiva).

Luciano merece todas as nossas homenagens e lembranças. Mesmo o Brasil ainda não ser uma potência esportiva, deve muito os resultados obtidos até aqui e todos os nossos ídolos das últimas décadas. O seu empenho para transformar o esporte como paixão nacional deve ser seguido e sempre lembrado. Valeu, Luciano. O esporte te rende homenagens eternas.



A emoção na voz

Além de Luciano do Valle, outros nomes merecem destaques. A lista é enorme. Todos aqueles que nos ensinaram a gostar e ser apaixonado pelo esporte em geral por meio de suas narrações. Destacamos Osmar Santos, que não pôde mais narrar partidas após acidente nos anos 90, e Maurício Torres, que faleceu em 2014. O jovem narrador era o principal nome da TV Record e se preparava para a cobertura de Rio 2016 pela emissora. 



ESTÃO VINDO MEDALHAS Mais um dia positivo para o esporte brasileiro. Bronze para Rafael Silva, o "Baby", no judô.  Esta é a quarta medalha brasileira nos Jogos. A segunda de bronze. O Brasil nesta Olimpíada ainda tem um ouro e uma prata.

TRANSMISSÃO NA TV  Continuamos destacando os narradores que são os responsáveis por comentar as conquistas brasileiras na Rio 2016 pela TV Globo. Desta vez, o nome é de Luís Ernesto Lacombe. Lembramos que a ideia inicial era dar nome a todos os narradores brasileiros de todas as emissoras que transmitem (além da Globo, SporTV, Record, Bandeirantes, ESPN, Fox Sports e BandSports). Porém, é difícil encontrar qualquer informação neste sentido.

O NOME DA MÚSICA Na cerimônia de abertura dos Jogos, durante a passagem "interminável" das delegações, foi feita uma seleção musical para animar os presentes no Maracanã. A trilha sonora foi bem selecionada. Uma das músicas chamou a atenção, mas não parecia ser muito conhecida. Descobrimos no Facebook. Ouça no YouTube. Bem animada a música. ;)



"Se eles acham que punir a equipe inteira é a ação correta, estou com eles"

Recordista olímpico e mundial, Usain Bolt é uma das principais estrelas da Rio 2016. Em julho, o jamaicano comentou a decisão do COI de manter o atletismo da Rússia fora dos Jogos Olímpicos, depois de análise da federação internacional de atletismo (IAFF). O velocista ainda afirmou que as punições "assustarão muita gente" que esteja envolvida com doping.   

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