Frente jurídica tripla em Bruxelas contra Espanha pelo atraso na introdução de directivas
Esta quarta-feira, a Comissão Europeia abriu uma tripla frente jurídica contra Espanha por várias directivas comunitárias pendentes de introdução. Bruxelas anunciou que vai levar o país ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) por incumprimento de prazos, o que abre portas a sanções e multas.
A primeira tarefa pendente aponta apenas para Espanha. A comissão está a levar a situação a tribunal para forçá-la a introduzir uma directiva que altera os requisitos mínimos de capital e as responsabilidades aceitáveis que os bancos e outras entidades devem cumprir. Amplia o escopo e altera os critérios de tratamento das entidades a serem extintas. A Espanha tinha até novembro de 2024 para introduzi-lo. “Até à data, todos os Estados-membros da UE declararam que concluíram a implementação da lei, exceto a Espanha”, afirmou num comunicado. Isto cria uma situação de tratamento diferenciado nas unidades, com “condições de concorrência diferenciadas” que podem encarecer o seu financiamento. “A Comissão Europeia considera que os esforços deste Estado-Membro são insuficientes e, por isso, decidiu levá-lo a tribunal e solicitar a imposição de sanções financeiras”, observou abaixo.
Outra frente está ligada à segurança cibernética. Bruxelas censura a não implementação da diretiva sobre a segurança das redes e dos sistemas de informação, o que deveria ter sido feito em 2024. Esta diretiva visa reforçar a cibersegurança da UE, com regras mais rigorosas para as entidades que operam em setores críticos como a saúde, a energia, os transportes e o setor público. “A sua plena implementação é essencial para melhorar a resiliência da UE e a capacidade de resposta a incidentes”, argumentou. Espanha, Irlanda, França e Países Baixos tinham até 17 de outubro de 2024 para implementar a diretiva. Remetendo agora a questão ao Tribunal de Justiça Europeu, propõe-se a imposição de sanções de valor fixo e multas diárias até que seja notificada a introdução integral. A directiva, que a Espanha ainda não implementou, exige que os Estados-membros “fortaleçam as suas capacidades de segurança cibernética e introduzam medidas de gestão de riscos e obrigações de comunicação de incidentes” em determinados sectores.
O último e terceiro ponto de discórdia surge no mercado de trabalho, devido à falta de introdução de uma directiva sobre certificações profissionais. Bruxelas está a levar sozinha a Espanha a tribunal por não reconhecer o título de tradutores e intérpretes ajuramentados de outros países da UE. Este caso remonta a 2019. Em particular, refere-se ao reconhecimento de tradutores e intérpretes ajuramentados que desejam estabelecer-se permanentemente em Espanha ou prestar serviços transfronteiriços temporários.
Para além do processo legal, a Espanha foi repreendida, entre outras coisas, pelas autorizações da directiva sobre pagamentos, pela protecção dos trabalhadores contra o amianto, pela utilização de água ou pelas metas de reciclagem. Por outro lado, foram encerrados três processos em aberto, um dos quais se refere a uma diretiva sobre alimentação ou direitos dos pacientes.