4 Julho 2026

Copa do Mundo de 2026: França ambiciosa desconfia da tenacidade do Paraguai


Enquanto a Filadélfia se prepara para comemorar o 250º aniversário da Declaração da Independência, a França chega ao Curso Financeiro de Lincoln procurando, para todos os efeitos, a força dominante do torneio, mas sabendo muito bem que o Paraguai já mostrou quão rapidamente um império pode ser perturbado.

Os Bleus passaram grande parte desta Copa do Mundo fazendo com que seus adversários parecessem alarmantemente despreparados. Num momento Kylian Mbappe corre para o espaço atrás da linha de defesa, no seguinte Ousmane Dembele é lançado no meio da multidão e antes que os defensores tenham tempo de se recuperar, Michael Olise já encontrou um passe ou finalização. Este é um futebol jogado com uma velocidade e precisão que pode fazer com que a resistência pareça inútil.

Essa foi a história do time de Didier Deschamps, que disputou quatro partidas nos Estados Unidos. A França marcou 13 gols, sofreu apenas duas vezes e passou o torneio parecendo uma equipe que já havia entrado no ritmo desde cedo. A Suécia foi a última a cair, com uma vitória por 3-0 demonstrando ainda mais a impressionante combinação de capacidade ofensiva da França.

Mas a partida das oitavas de final de sábado contra o Paraguai traz seu próprio aviso. A equipa de Gustavo Alfaro já tinha arquitetado o choque do torneio, arrastando a Alemanha para uma disputa sombria e ansiosa, mantendo-a num empate 1-1 e depois mandando-a para casa nos pênaltis.

Esse resultado foi baseado na disciplina. Junior Alonso e Gustavo Gomez mantiveram o centro da defesa unidos, atacando cruzamentos e evitando que a Alemanha jogasse pelo meio, enquanto Andrés Cubas e Damian Bobadilla interceptavam a bola na sua frente. A campanha de Miguel Almiron deu ao Paraguai a oportunidade de escapar da pressão, enquanto Julio Enciso, sua ameaça ofensiva mais urgente, assumiu a maior parte do perigo no terço final.

A tarefa do Paraguai é simples. Faça a França esperar, faça a França trabalhar e veja se a impaciência também pode frustrar os Blues. | Crédito da foto: REUTERS

A tarefa do Paraguai é simples. Faça a França esperar, faça a França trabalhar e veja se a impaciência também pode frustrar os Blues. | Crédito da foto: REUTERS

O Paraguai não tentará trocar golpes com a França. Ele terá como objetivo sufocar o espaço, atrapalhar o ritmo e transformar a noite em uma luta longa e abafada, na qual os favoritos começarão a duvidar de si mesmos.

Mbappe, um dos primeiros candidatos à Chuteira de Ouro com seis gols, foi cauteloso ao reconhecer o perigo que o Paraguai representa. “Estou focado no clima e no vestiário. Eles mostraram que depois da Alemanha devem ser levados a sério. Iremos lá para vencer”, disse ele.

As temperaturas na Filadélfia devem ultrapassar os 38 graus e os cientistas estão pedindo à FIFA que adie o início da competição para as 17h.

Deschamps, de volta ao banco após luto familiar, também alertou contra a leitura da vitória do Paraguai como uma novidade. “Eu observei o Paraguai. O que eles conseguiram não foi por acaso”, disse ele. “É uma típica seleção sul-americana, forte nos duelos e muito tenaz, e tem jogadores de grande qualidade.”

Há uma história aqui também. A última vez que a França enfrentou o Paraguai nas oitavas de final da Copa do Mundo, em 1998, precisou do gol de ouro de Laurent Blanc aos 114 minutos para escapar. Deschamps era o capitão naquele dia. Quase três décadas depois, ele volta ao mesmo jogo com um time bem mais explosivo do que aquele que comandava na época.

Porém, o Paraguai viajará para Filadélfia, acreditando que as explosões poderão ser reprimidas. Sua tarefa é simples. Faça a França esperar, faça a França trabalhar e veja se a impaciência também pode frustrar os Blues.

Publicado em 4 de julho de 2026



Link da fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *