Europa mantém resultado na Copa do Mundo com Argentina de Messi oferecendo resistência
A Copa do Mundo começou com força – 48 seleções, três nações anfitriãs, calor, distância, barulho e a promessa de que o centro de gravidade do futebol poderá enfrentar o inesperado. Duas eliminatórias depois, a Europa colocou seis seleções nas quartas de final, com apenas Argentina e Marrocos saindo do continente. Os países europeus – Espanha em 2010 e Alemanha no Brasil quatro anos depois – só ganharam a taça duas vezes fora da Europa, mas França, Espanha, Inglaterra, Bélgica, Noruega e Suíça têm três quartos dos últimos oito, pelo que as hipóteses do continente de adicionar a essa lista parecem agora elevadas.
Esta é a melhor escalação da Europa fora da Europa desde 1994. As oitavas de final terminaram em lágrimas para Cristiano Ronaldo e Neymar, enquanto os três anfitriões perderam um a um.
As oito equipes, porém, seguiram caminhos bem diferentes para chegar até aqui. Alguns chegaram através do controle, outros através da violência e outros através da teimosia.
LER | A determinação da França enfrenta um grande exemplo do velho inimigo de Marrocos
O jeito argentino é o mais pacífico e talvez, por isso, o mais expressivo. Os campeões ainda tiveram que responder a perguntas embaraçosas. Cabo Verde foi arrastado para os 16 avos-de-final e o Egipto procurava a eliminação em Atlanta, antes de Lionel Messi e companhia superarem uma desvantagem de dois golos no grupo final para vencer por 3-2. Nem sempre parecia bom, mas a Argentina parecia agressiva. Os golos de Messi continuam a moldar a competição, mas para Lionel Scaloni, o maior conforto virá do facto de a sua equipa já ter sobrevivido ao tipo de problemas que muitas vezes destroem o Campeonato do Mundo. “Machucámos o nosso povo, apesar de não termos feito um jogo mau”, disse Scaloni após a vitória sobre o Egipto. “Nós partiríamos se não lutássemos.”
A França parece ser o time mais avançado ainda na Copa do Mundo. | Crédito da foto: REUTERS
A França parece ser o time mais avançado ainda na Copa do Mundo. | Crédito da foto: REUTERS
A França também ficou ferida. A Suécia foi eliminada nas oitavas de final, mas o Paraguai mudou as oitavas de final consecutivas, defendendo bem, retardando o jogo e forçando a equipe de Didier Deschamps a se contentar com uma vitória por pouco, graças a um pênalti tardio de Kylian Mbappé. Mas a França ainda parece ser a equipa com mais dificuldades na competição, com os sete golos de Mbappé a tornarem-na na equipa mais perigosa do torneio, com Ousmane Dembélé, Bradley Barcola e Michael Olise em ascensão.
A posição da Inglaterra nas quartas de final foi encontrada na parte mais difícil do lote. A vitória por 3 a 2 sobre o México no Azteca foi um teste de altura, barulho e um muro de raiva em casa. A Inglaterra foi reduzida a 10 homens, mas ainda viva. A Noruega, seu próximo adversário, registrou uma das surpresas do torneio ao vencer o Brasil, com Erling Haaland marcando dois gols na vitória por 2 a 1. Sob o comando de Ståle Solbakken, a Noruega pode prejudicar as equipas tanto na transição como com a bola, e os defesas ingleses enfrentam agora o jogo mais óbvio do torneio – Haaland está lá sem perder o controlo do espaço à sua volta.
Bélgica e Suíça chegaram aos quartos-de-final gerindo a pressão de formas diferentes. A Bélgica foi demasiado complacente e demasiado para os Estados Unidos, vencendo por 4-1, apesar do regresso estrondoso de Folarin Balogun e da pressão da multidão. A Suíça, por sua vez, derrotou a Colômbia nas oitavas de final sem marcar, antes de vencer nos pênaltis e chegar às quartas de final de uma Copa do Mundo pela primeira vez em 72 anos.
A Espanha não marca há cinco jogos. | Crédito da foto: REUTERS
A Espanha não marca há cinco jogos. | Crédito da foto: REUTERS
A Espanha, por sua vez, ainda não encontrou um golo e eliminou Portugal com uma onda de frio que parece terrível.
A escalação das quartas de final agora oferece quatro testes diferentes. A França contra o Marrocos, em Boston, enfrenta o time mais avançado do torneio e seu time mais adversário. A Espanha contra a Bélgica, na Califórnia, parece uma disputa entre uma equipe que controla a bola e outra que consegue diminuir a distância rapidamente. O jogo da Inglaterra contra a Noruega, em Miami, pode depender de a Inglaterra conseguir conter Haaland e ao mesmo tempo manter o seu próprio ritmo. A Argentina contra a Suíça oferece a Messi outro grande quebra-cabeça contra uma equipe que raramente perde a forma ou a compostura.
O último quarto é a prova do que é esta Copa do Mundo. O que começou como uma digressão mundial foi encerrado num grupo dominado pela Europa, restando à Argentina e a Marrocos resistir à atracção.
Postado em 08 de julho de 2026