Tuchel e Bellingham precisam acalmar a tensão e a Inglaterra está muito perto da história | Copa do Mundo 2026
Thomas Tuchel jogou uma granada na mistura. Jude Bellingham pegou-o e jogou-o de volta. Houve uma crise de confiança em Miami, onde todos lutaram para manter a calma na umidade sufocante, e isso precisa ser enfrentado antes que a Inglaterra tente chegar à Copa do Mundo pela primeira vez em solo estrangeiro.
É hora de cabeças frias. Tuchel foi enfático em sua rápida avaliação da vitória da Inglaterra nas quartas de final na Noruega, dizendo a Gabriel Clarke da ITV que o jogo foi ruim, lento e cheio de erros técnicos. O elogio da mente do lado estava lá, mas se perdeu no barulho. As críticas feitas a Bellingham e a forma como ele respondeu, rebatendo por direito próprio os comentários de Tuchel, ameaçaram a competição inglesa de cair devido a um desentendimento geral entre o treinador principal e a estrela.
Bellingham foi breve em uma entrevista, encolhendo os ombros e levantando as sobrancelhas antes de dizer: “Sim, bem, tanto faz… é difícil lá fora”, e passando para a próxima. “Talvez ele não saiba jogar nesse tipo de situação contra Erling Haaland, (Martin) Ødegaard, (Antonio) Nusa, (Alexander) Sørloth”, disse o meio-campista, um comentário que foi interpretado por alguns como uma crítica ao estilo de jogo de Tuchel.
Pareceu uma resposta inadequada de Bellingham, não apenas porque desviou a atenção da semifinal marcada para a Inglaterra contra a Argentina, em Atlanta, na quarta-feira. A preocupação inevitável mostra que as diferenças na sua relação com Tuchel não foram totalmente reparadas.
O comentário de Tuchel sobre o comportamento “nojento” de Bellingham está completamente remetido ao passado? No calor do momento houve detalhes que Bellingham não esquecerá. Será bem compreendido se alguma reclamação for apresentada. Tuchel adotou uma linha dura no outono passado, eliminando Bellingham do time. Falou-se anteriormente da força da equipe e da liderança do vestiário. A responsabilidade de adaptação recaiu sobre Bellingham e ele aceitou o desafio, atendendo às demandas de Tuchel e abrindo caminho para o XI antes de se tornar a força motriz da Inglaterra nesta temporada.
Mas a notícia de Tomé e Judas não deveria se transformar num drama. A primeira coisa a dizer é que não há nada de incomum no primeiro discurso de Tuchel. Ele é honesto com a mídia, sempre compreensivo, e em Miami foi fácil ver sua rejeição do jogo da Inglaterra como um jogo psicológico.
Tuchel quer colocar uma segunda estrela na camisa. Chegar aos quatro finalistas não é suficiente para ele. Ele quer colher amostras e nesse caso suas informações são uma espécie de tratamento emergencial. Não há nada falso. O facto é que a Inglaterra teve a sorte de vencer a Noruega, que foi superior durante a maior parte da época regular, e os comentários de Tuchel fizeram lembrar o tipo de liderança destemida que José Mourinho praticou no seu auge.
Talvez seja uma sensação incomum numa época em que alguns dirigentes sentem a necessidade de estar atentos aos jogadores modernos. Mas Tuchel está alto. Sua raiva foi expressa com um sorriso. Ele sabia o que estava fazendo. É um truque usado por muitas celebridades. Vimos isso em Pep Guardiola, que costuma dar entrevistas no trabalho se acha que eles dão ao Manchester City o crédito que merecem. Sir Alex Ferguson também pode ser amargo na vitória; ele também criticou seu time do Aberdeen depois de vencer a final.
Existem dois problemas aqui, no entanto. A primeira coisa que Tuchel fez foi espirrar na reserva regular inglesa. Sua franqueza parece contundente, inadequada. O que Gareth Southgate fez? Teria falado sobre a Inglaterra quebrando barreiras e fazendo mais história. Ele teria falado calmamente e com sensibilidade. Tuchel é completamente diferente. Ele fala como as coisas são e realmente não se importa se isso causa ofensa.
Entre em Utah. É aqui que reside a segunda questão – o perigo de um conflito entre dois gigantes. Consideremos a situação em Bellingham. Ele tem 23 anos e marcou apenas duas vezes em partidas consecutivas. Não é de admirar que ele não goste de coisas ruins. Não é ele e essa vontade de irritar é parte do que lhe permitiu forçar a Inglaterra a ultrapassar a linha enquanto lutava no sábado.
após o comunicado de imprensa
Talvez Bellingham tenha ido longe demais. Houve um desafio à gestão de Tuchel na declaração clara sobre o jogo do ex-técnico do Chelsea. Mesmo assim, Tuchel estaria errado em levar isso a sério. Tuchel deve estar feliz por ter dado a Bellingham outro lado para provar. Ele também deve aceitar que, se desenvolveu uma cultura de lealdade, não poderá reclamar se receber uma recompensa de tempos em tempos.
Torna-se um problema quando se joga em público. Além disso, nunca é demais enfatizar como as coisas estão ruins em Miami. Bellingham devia estar física e mentalmente abalado. Ele tinha acabado de falar ao apito final e parecia que não poderia usar o filtro habitual em tais situações.
Uma pessoa não tem nada a ganhar permitindo que isso aconteça. Tuchel precisa minimizar isso ao falar com a mídia novamente. Ele deveria mudar isso para uma piada. Talvez ele possa rir de si mesmo. Talvez ele possa ressaltar que Bellingham só pode falar sobre tática quando tiver conduzido um time à glória na Liga dos Campeões.
Tuchel precisa de uma maneira de garantir que a “irmandade” da Inglaterra não desmorone diante de um dos jogadores mais poderosos e emocionais da mente viva. O incentivo, há alguns no acampamento que acham que isso vai explodir. A Inglaterra tem a chance de fazer história esta semana. Eles o farão se Bellingham e Tuchel estiverem na mesma página.