12 Julho 2026

17 cidadãos mexicanos morreram sob custódia do ICE ou em operações de aplicação da lei, diz o México, anunciando ação legal – Houston Public Media


A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, durante uma conferência onde falou sobre as batidas realizadas pela Immigration and Customs Enforcement (ICE) contra os imigrantes no Palácio Nacional. (9 de junho de 2025, na Cidade do México, México) (Carlos Santiago/Grupo Eyepix | REUTERS)

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O México planeja abrir ações criminais e civis nos Estados Unidos pelas mortes de cidadãos mexicanos sob custódia do ICE e em operações de aplicação da lei, disse a presidente Claudia Sheinbaum na quinta-feira.

O anúncio ocorre depois que um agente do ICE matou a tiros o imigrante mexicano Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, durante uma operação policial no bairro Magnolia Park, em Houston, em 7 de julho. Salgado Araujo morava nos Estados Unidos há décadas e tinha um pedido de autorização de trabalho pendente.

O ministro das Relações Exteriores, Roberto Velasco, disse que o México registrou 17 mortes de cidadãos mexicanos relacionadas ao ICE desde o início da atual repressão à imigração dos EUA: 14 em centros de detenção e três durante operações de aplicação da lei, incluindo Salgado Araujo.

Sheinbaum disse que o seu governo não dependerá mais apenas de notas diplomáticas de protesto.

“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance”, disse ela, acrescentando que o México não pode deixar de agir em resposta às mortes de mexicanos durante as operações de aplicação da lei do ICE ou em centros de detenção geridos por empresas privadas contratadas pelo ICE. Ela disse que o México continuará a fornecer apoio consular às famílias e aos detidos, especialmente aos mexicanos “cujo único crime é trabalhar honestamente nos Estados Unidos”.

Velasco disse que o Itamaraty pedirá à Procuradoria-Geral do México que encaminhe os casos aos promotores dos EUA e ao Departamento de Justiça dos EUA para solicitar investigações criminais. Ele disse que as queixas seriam apresentadas “contra quem quer que seja responsável”.

As autoridades norte-americanas afirmaram que os agentes estavam a realizar uma operação quando Salgado Araujo tentou fugir à prisão e usou o seu veículo como arma, o que levou um agente a disparar em legítima defesa. Mas testemunhas e parentes contestaram esse relato. O El País noticiou que os vizinhos o ouviram gritar “¡Me está matando!” após o tiroteio, e sua família disse que soube de sua morte pela primeira vez por meio de vídeos e redes sociais, e não das autoridades.

A estratégia jurídica do México também inclui ações civis contra empresas privadas que operam centros de detenção do ICE. Velasco disse que o México enviaria cartas de cessação e desistência às empresas, exigindo mudanças nas práticas e condições de detenção que o México afirma terem violado os direitos humanos e contribuído para a morte de detidos mexicanos.

“Oficialmente, pedimos a estas empresas que parem com estas ações”, disse Velasco, explicando que as cartas também exigirão mudanças nas condições que levaram às mortes mexicanas.

O México também busca pressão internacional. Velasco disse que o governo pediu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, juntamente com grupos da sociedade civil, que buscassem proteção para os mexicanos detidos nos EUA. O México também pediu a Volker Türk, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que defendesse a protecção dos cidadãos mexicanos sob custódia do ICE. Paralelamente, as autoridades mexicanas em Washington foram instruídas a procurar reuniões urgentes com as autoridades dos EUA, incluindo membros do Congresso.

O México já enviou 11 notas diplomáticas formais a Washington solicitando esclarecimentos sobre as mortes, mas as autoridades disseram que as respostas não produziram uma responsabilização satisfatória. As autoridades disseram que, embora o México continue empenhado em cooperar com os Estados Unidos, a responsabilização pelas mortes tornou-se uma prioridade máxima.



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