“Além da Chuva”, Abuso Sexual Infantil
Sofía acabou de terminar seus estudos de psicologia em Valparaíso, Chile, e está retornando para sua cidade natal, Valdivia. Este regresso coincide com a descoberta do corpo de uma jovem, que desperta memórias enterradas da sua infância em Sófia. Ela deve decidir olhar além da chuva e do seu véu para descobrir um passado que é doloroso e desconfortável não só para ela, mas também para toda a sua comunidade.
Um novo filme da diretora Valeria Sarmiento Atrás da chuva A estreia mundial aconteceu na competição principal do Globo de Cristal da 60ª edição do Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary. Combinando belas imagens de paisagens em preto e branco com o difícil tema do abuso sexual infantil, o filme é baseado na ideia original de Sarmiento e em um roteiro que ela trabalhou com o falecido Omar Saavedra Santis. O autor das fotos é Acácio de Almeida; o editor é Galut Alarcón.
O elenco inclui Paula Prado, Cristián Arriagada, Aline Kuppenheim, Shlomit Baytelman, Chamila Rodríguez, Daniel Muñoz, Julio Milostich, Aimar Alarcón Rodríguez e Clara Vargas Arellano. Rodríguez também é produtor do filme.
Sarmiento e Rodríguez, que trabalham juntos desde então Segredos (2008), com quem conversei Repórter de Hollywood, através de um tradutor, o Atrás da chuva e as suas esperanças no debate social que isso poderá desencadear.
O que te inspirou a escrever essa história e te fez fazer um filme sobre um tema muito importante e ao mesmo tempo muito difícil?
VALERIA SARMIENTO A inspiração inicial foi que o abuso infantil é, infelizmente, muito comum em nossa sociedade. E muitas vezes permanecemos em silêncio sobre isso.
Atrás da chuva
Você trabalhou no roteiro com Omar Saavedra Santis. Este foi seu último projeto de filme e como ele entrou no projeto?
SARMIENTO Inicialmente, eu queria trabalhar no filme com amigos da França e da Suíça, mas não fizemos nenhum progresso. Quando conheci Chamila, ela sugeriu voltar ao lugar onde tudo começou, o Chile. E foi aí que entrei em contato com o Omar, que então se juntou à equipe e desenvolveu ainda mais minha ideia inicial.
Chamila, por que você quis trabalhar nesse filme – tanto como atriz quanto como produtora?
CAMILA RODRIGUEZ Fiquei muito intrigado com a complexidade artística e trabalho com Valéria há 20 anos. Então eu tinha muita confiança nela. Quando estávamos trabalhando no nosso filme anterior, ela começou a falar sobre essa história, o que realmente me tocou porque eu havia vivido algo semelhante quando era criança. Minhas experiências com abuso infantil foram ocultadas e não falei sobre isso até os 40 anos. Finalmente comecei a falar sobre isso para poder realmente me identificar com a história. Quando ela me mostrou o roteiro, eu soube imediatamente que queria fazê-lo. Também vejo a arte, incluindo o cinema, como uma forma de exorcizar demônios, como uma forma de transformar horrores em algo mais positivo.
Seu personagem não é necessariamente o mais fácil pessoa estar por perto…
RODRÍGUEZ Sim, meu personagem é um advogado com quem é muito difícil trabalhar.
Atrás da chuva tem gráficos impressionantes em preto e branco, a cor só aparece no final. Você poderia falar sobre essa escolha?
SARMIENTO Eu sabia desde o início que o filme seria em preto e branco, exceto o final, porque cresci assistindo filmes sem cor. Nasci em 1948, então demorou muito para que eu pudesse assistir a um filme colorido. E é aí que entra também o título. Minha mãe me disse que eu tinha que olhar além da chuva para ver todas as cores e aspectos, então foi isso que tentei fazer.
Atrás da chuva
Como você escalou Paula Prado para o papel principal?
SARMIENTO Não foi fácil encontrar uma atriz que pudesse ir conosco a Valdivia, porque muitas atrizes trabalham em teatro e não podem ir. E quando encontrei a Paula, senti imediatamente que ela era a pessoa certa, que seria perfeita para transmitir a ideia do filme.
Como foi toda a experiência no set?
SARMIENTO A sessão foi muito harmoniosa.
RODRÍGUEZ Era. E trabalhar com a Valéria é um grande prazer, porque como diretora ela é muito tranquila e você pode confiar nela. Você se sente seguro e ela sabe exatamente o que quer. Valdivia também é uma bela cidade pequena. É perto de tudo, então do ponto de vista técnico trabalhar lá foi muito útil e fácil.
Quais são suas esperanças para o filme e as discussões que ele pode suscitar na sociedade?
SARMIENTO Esperamos que o filme faça exatamente isso.
RODRÍGUEZ Sim, porque as pessoas precisam falar sobre isso. É como se a violência estivesse escondida porque as crianças não têm palavras para contar aos outros o que está acontecendo