15 Julho 2026

Economia chinesa desacelera devido ao fraco consumo das famílias

A economia chinesa está a expandir-se ao ritmo mais lento em mais de três anos. No segundo trimestre, cresceu 4,3% em termos homólogos, moderando-se face ao aumento de 5% registado entre Janeiro e Março. A fragilidade do consumo das famílias e o impacto que a crise imobiliária teve nos valores familiares estão por trás do menor crescimento do produto interno bruto.

O PIB cresceu 0,9% em termos trimestrais, segundo dados oficiais publicados quarta-feira pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (ONE) do país asiático. Isto representa uma descida de 0,4 pontos face à taxa registada entre janeiro e março (+1,3%), embora também vá ao encontro das previsões mais difundidas entre os analistas.

No segundo trimestre deste ano, a segunda maior economia do mundo registou um crescimento de 4,3% em termos homólogos, um valor que neste caso fica abaixo tanto do limite anterior (5%) como das expectativas dos especialistas, que esperavam um abrandamento, mas não muito, até cerca de 4,5%.

Aliás, a imprensa regional destaca que esta é a marca homóloga mais baixa desde o final de 2022, quando o gigante asiático enfrentou os efeitos económicos da política nacional “Covid zero”, apontando que tal poderá complicar o cumprimento da meta oficial de crescimento, fixada entre 4,5 e 5%.

“Tirando as paralisações devido à Covid-19, este é o pior conjunto de números de crescimento trimestral já registados” no país asiático, disse Julian Evans-Pritchard, analista da consultora britânica Capital Economics.

A meta acima mencionada, a mais baixa desde 1991, foi estabelecida pelas autoridades em Março do ano passado, depois de a China ter atingido a sua meta para 2025 de crescer “cerca de 5%”, aumentando o PIB exactamente a essa taxa.

PIB chinês está dentro dos parâmetros definidos pelo governo

No entanto, neste momento, o PIB chinês enquadra-se nos parâmetros definidos pelo governo, ao crescer 4,7% em termos anuais no primeiro semestre do ano, no final do qual a segunda maior economia do mundo atingiu uma dimensão de 69,57 biliões de yuans (10,28 biliões de dólares, 8,99 biliões de euros), de acordo com estimativas preliminares de hoje.

Por setor, o crescimento primário cresceu 3,7% entre janeiro e junho; o secundário, 3,9%, e o terciário, 5,2%. A instituição estatística assegura que a economia nacional “funcionou dentro de limites adequados face às pressões” e que “continuou a apresentar grande resistência”, destacando o aumento da produção, a estabilidade do mercado de trabalho, a ausência de taxas de inflação elevadas ou a inércia positiva do comércio externo.

“Mas devemos também estar conscientes de que o ambiente externo está a tornar-se cada vez mais instável e incerto, que os desequilíbrios entre a força da oferta e a fraqueza da procura ainda são graves a nível nacional, e que as bases para a recuperação e recuperação da economia ainda precisam de ser consolidadas”, alerta o documento.

Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, concorda parcialmente com esta análise, apontando especificamente para uma procura “mantida moderada”, pressionada pela prolongada crise imobiliária e pela fraqueza “persistente” na confiança do sector privado, ao mesmo tempo que fala de uma “procura externa resiliente”, apesar das tensões geopolíticas e das fricções comerciais.

“A procura nacional continua a ser o elo mais fraco”, sublinha o especialista, que encara os planos recentemente anunciados pelo governo para aumentar o consumo das famílias como um claro sinal de “urgência” que, no entanto, “levará tempo” a converter-se numa verdadeira retoma do consumo.

No entanto, de acordo com Evans-Pritchard, os números divulgados hoje estão mais em linha com a própria medição alternativa da Capital Economics, o que ele acredita que significaria que representam não tanto uma “deterioração súbita” nas condições económicas, mas sim “uma maior vontade” por parte das autoridades chinesas de “reconhecer fraquezas pré-existentes”.

O especialista salienta que se esta teoria for verdadeira, tanto os indicadores hoje publicados como a própria meta oficial de crescimento apontariam para “uma maior margem para as autoridades reconhecerem a realidade no terreno”, e que Pequim está disposta a deixar de exagerar os dados de crescimento que lhe chegam das autoridades regionais ao compilar as estatísticas.



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