Frase do dia de Richard Nixon: ‘Lembre-se sempre, os outros podem te odiar, mas aqueles que te odeiam não podem vencer até que você os odeie, e então você se destrói’ e uma lição sobre como lidar com os odiadores
Em 8 de agosto de 1974, Richard Nixon, o 37º Presidente dos Estados Unidos, anunciou sua renúncia após vários escândalos. No dia seguinte, Nixon fez seu discurso de despedida à sua equipe. Foi um longo discurso no qual abordou as polêmicas que perseguiram sua presidência (1969 a 1974). Mas as palavras mais memoráveis proferidas pelo presidente naquele dia não foram políticas, mas conselhos de vida. “Sempre dê o seu melhor, nunca desista, nunca seja pequeno; lembre-se sempre, os outros podem te odiar, mas aqueles que te odeiam não podem vencer até que você os odeie, e então você se destrói.”Estas palavras carregam uma ironia que fascina os historiadores há décadas. Poucos presidentes americanos sofreram tanta hostilidade pública como Nixon, e poucos permitiram que o ressentimento moldasse profundamente as suas decisões. A citação representa uma verdade eterna sobre a natureza humana e uma visão nascida da turbulenta vida política de Nixon.Richard Nixon entrou na Casa Branca em 1969, após o retorno político mais espetacular da história americana. Oito anos antes, ele havia perdido a presidência para John F. Kennedy, numa das eleições mais disputadas da história americana. Dois anos depois, ele não conseguiu ganhar o governo da Califórnia e disse aos repórteres: “Vocês não terão mais Nixon para chutar”. Muitos acreditavam que sua carreira havia acabado. No entanto, ele reconstruiu a sua reputação, apelou para o que chamou de “maioria silenciosa” e conquistou a presidência. Tendo sofrido repetidas derrotas, Nixon compreendeu melhor do que a maioria dos políticos o que significava ser odiado, criticado e subestimado.A sua presidência foi marcada por conquistas que remodelaram fundamentalmente a política externa americana. Nixon abriu relações diplomáticas com a China após mais de duas décadas de isolamento, tornando a sua histórica visita a Pequim em 1972 um dos momentos decisivos da Guerra Fria. Ele também buscou a distensão com a União Soviética, assinando acordos de controle de armas que aliviaram as tensões entre as duas superpotências nucleares mundiais. Internamente, a sua administração criou a Agência de Protecção Ambiental, assinou importante legislação ambiental e supervisionou grandes reformas na segurança ocupacional e no financiamento dos cuidados de saúde. Mesmo muitos críticos acreditam que o historial de Nixon como decisor político foi significativo.
Odiadores Nixon c
No entanto, Nixon nunca escapou da profunda sensação de que inimigos poderosos o cercavam. Ele frequentemente acreditava que a mídia o tratava injustamente, que os oponentes políticos estavam determinados a destruí-lo e que a elite o desprezava. Algumas destas queixas não eram inteiramente imaginárias – Nixon era de facto uma das figuras mais polarizadoras da política americana – mas com o tempo transformaram-se em suspeita e defesa. A distinção entre reconhecer a resistência e ser consumido por ela desapareceu gradualmente.É aqui que esta citação ganha seu maior significado. Nixon sugeriu que o ódio em si é impotente, a menos que afete a pessoa visada. A hostilidade de um oponente não pode fazer com que você realmente se derrote. O maior perigo é deixar que essa hostilidade se torne o seu próprio estado emocional. Uma vez que o ódio se instala, ele obscurece o julgamento, estreita a perspectiva e encoraja decisões motivadas pelo medo e não pelos princípios.
O escândalo Watergate
A própria presidência de Nixon tornou-se um exemplo clássico deste aviso. O escândalo Watergate não começou porque Nixon não teve sucesso político. Em 1972, ele se tornou muito popular e alcançou uma vitória esmagadora na reeleição. Pelo contrário, o escândalo surgiu da obsessão de supostos inimigos e de um desejo irresistível de proteger o poder político. Membros da sua administração orquestraram uma invasão na sede do Comité Nacional Democrata, e o subsequente encobrimento revelou-se muito mais prejudicial do que o crime em si. As gravações secretas de Nixon acabaram por revelar conversas que demonstravam uma tentativa de obstruir a justiça, abalando a confiança do público.Os historiadores argumentam frequentemente que Watergate foi menos uma história de necessidade política do que de insegurança psicológica. Nixon já tinha alcançado grande sucesso, mas estava convencido de que os inimigos ameaçavam a sua presidência de todas as direções. Em vez de confiar nas instituições democráticas ou na sua própria força eleitoral, permitiu que a suspeita ditasse as suas acções. Nesse sentido, a citação torna-se quase autobiográfica. Nixon não foi destruído porque os críticos o odiavam; Todo presidente tem críticos. Ele foi destruído porque o medo, o ressentimento e a desconfiança influenciaram decisões que nunca deveriam ter sido tomadas.Os últimos meses da presidência de Nixon sublinharam esta trágica ironia. À medida que a investigação se intensificava e as provas aumentavam, o seu apoio dentro do seu próprio Partido Republicano diminuía. Enfrentando impeachment e impeachment quase certos, Nixon renunciou em 8 de agosto de 1974, sendo o único presidente dos EUA a fazê-lo. O seu discurso de demissão reflecte a frustração, mas também a consciência de que a sua presidência se tornou instável. Os espectaculares sucessos da política externa que outrora definiram a sua administração foram ofuscados por Watergate, mostrando como um fracasso enraizado na desconfiança pode eclipsar anos de realizações.
O maior risco é…
Além da política, a citação fala de uma experiência humana mais ampla. Todos enfrentam críticas, ciúmes, tratamento injusto ou hostilidade total. Nixon lembra-nos que estas forças externas não são a maior ameaça. O maior perigo está em internalizar a amargura até que ela comece a controlar as nossas escolhas. O ódio estreita o nosso mundo emocional, a vingança parece mais importante que o propósito e a dúvida mais importante que a fé. Uma vez que esta transição ocorre, as pessoas começam a prejudicar-se antes que qualquer outra pessoa o faça.Outra lição sutil está escondida nas palavras de Nixon. Eles distinguem entre força e vingança. É preciso disciplina emocional para suportar críticas sem ser consumido por elas. A vingança é mais fácil do que manter o foco em objetivos maiores. Os líderes, em particular, devem separar as queixas pessoais das responsabilidades públicas. Nixon entendeu isso intelectualmente, mesmo que tenha lutado para praticá-lo de forma consistente. Esta contradição é precisamente o que torna a passagem memorável. Este não é um conselho vazio de alguém que nunca enfrentou adversidades; Esta é a sabedoria adquirida de alguém que experimentou um triunfo extraordinário e uma derrota autoinfligida devastadora.