30 Junho 2026

Regularização de migrantes em Espanha: mais de um milhão de pessoas solicitam estatuto legal


Mais de um milhão de migrantes ilegais candidataram-se para beneficiar do processo extraordinário de regularização implementado pelo governo espanhol, confirmou terça-feira o primeiro-ministro Pedro Sánchez, que saudou uma medida “histórico”.

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Num evento organizado em Madrid dedicado ao processo de regularização, Pedro Sánchez garantiu que esta medida responde a uma realidade social e económica que Espanha não pode ignorar.

Ele também enfatizou que a imigração é decisiva para o futuro do país. Segundo ele, sem a contribuição da população migrante, Espanha poderá perder 19% do seu PIB em 2050 e até 22% em 2075 devido ao envelhecimento demográfico.

O primeiro-ministro lembrou que a partir de 2022 a imigração contribuiu para cerca de metade do crescimento do país e defendeu a ideia de que a integração fortalece a coesão social e o estado social. “A exclusão não protege ninguém e não cria uma prioridade nacional”ele disse, referindo-se à retórica anti-imigração.

Uma nova Agência Nacional para a Mobilidade Humana

Este processo extraordinário de regularização foi lançado em 16 de abril e o governo esperava inicialmente beneficiar cerca de 500 mil pessoas. O número de candidaturas, no entanto, superou largamente as expectativas: até meados de junho já tinham sido registadas cerca de 900 mil e, ao fechar o prazo de terça-feira, o executivo indicava que tinham sido apresentadas cerca de 1,2 milhões de candidaturas. O valor final será conhecido na quarta-feira.

Na mesma cerimónia, Pedro Sánchez apresentou também o novo Plano de Integração e Cidadania, inicialmente dotado de 500 milhões de euros e estruturado em torno de quatro eixos estratégicos, 16 medidas e dez objetivos até 2030.

Entre as iniciativas anunciadas está a criação de uma Agência Nacional para a Mobilidade Humana para melhorar a gestão das políticas migratórias e reforçar a integração das pessoas que irão obter autorização de residência.

O primeiro-ministro espanhol apelou também ao reforço dos canais legais de migração laboral através do recrutamento nos países de origem e anunciou que a nova Agência Nacional para a Mobilidade Humana coordenará tanto a recepção, a integração e a mobilidade dos trabalhadores estrangeiros. O objectivo é adaptar a política de migração às necessidades do mercado de trabalho e ao desafio demográfico.

Pedro Sánchez diz que Espanha precisa de uma política migratória “ordenado, regular e seguro” e deve combinar o controlo das fronteiras com canais de acesso legais e mecanismos de integração eficazes. Ele também destacou que as chegadas irregulares diminuíram significativamente nos últimos anos.

Debate político e judicial

Esta regularização extraordinária provocou um acalorado debate político. Enquanto o governo a apresenta como uma medida necessária para reconhecer a situação de centenas de milhares de pessoas que já vivem e trabalham em Espanha, o Partido Popular e o Vox criticam-na, acreditando que poderia causar um “chamada aérea” e aumento da pressão sobre os serviços públicos.

O processo também enfrenta uma frente jurídica. O Supremo Tribunal espanhol abriu efectivamente a porta à análise de uma possível suspensão temporária da regularização extraordinária depois de expressar dúvidas sobre a sua compatibilidade com o direito da União Europeia, na sequência de apelos de várias comunidades autónomas e do Vox. Antes de decidir, a Câmara solicitou às partes que apresentassem suas observações.

Segundo o Tribunal Superior, o decreto levanta questões sobre a sua conformidade com a regulamentação europeia, prevendo uma regularização geral em vez de um exame individualizado de cada pedido.

No entanto, a medida permanece em vigor e os processos continuam a ser processados. O governo defende a legalidade do decreto e diz estar confiante de que o judiciário acabará por validá-lo.



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