O Brasil eliminou o Japão ao substituir o joga bonito pelo bom e velho chute e corrida
Do nosso correspondente especial em Houston:
Voltaremos para o samba. Se ele estiver qualificado para a 8ª final Depois de vencer o Japão por 2 a 1 nesta segunda-feira, graças ao gol de Martinelli no final dos acréscimos, o Brasil de Carlo Ancelotti estava longe de brilhar aos olhos de seus torcedores, que mesmo assim compareceram em massa àquele magnífico estádio (com ar-condicionado) de Houston.
Mesmo que os encontremos tão adormecidos quanto seu time durante toda a partida, ao contrário dos cerca de dois mil torcedores dos Samurais Bleus que estavam em harmonia com seus jogadores, fazendo com que várias grandes gotas de suor frio escorressem pela testa da Seleção. Não é o calor do Texas ou aquela maldita umidade que gruda na pele como um band-aid no dedo do capitão Haddock.
Brasil, Brasil, onde você está? O que aconteceu com o seu futebol de rua?
Completamente amorfo há meia hora, com meio-campo em meias e ataque sem ideia nem movimento, o Brasil esteve tão longe desses ilustres mais velhos – mesmo que comece volte muito, muito longenós damos para você – como se esses jogadores estivessem ensaiando academicamente o futebol formatado, a anos-luz dessa jogada instintiva vinda direto dos pés descalços dançando no asfalto do Rio ou de São Paulo.
Percebendo que a jogada estava por vir, os japoneses, até então bem organizados defensivamente, decidiram explodir e Kaishu Sano virou gatilho com um chute repentino perto da trave após a grotesca perda de bola de Danilo no campo da Seleção. Esse gol poderia ter atingido os nervos (e o ego) da turma do Carletto, mas só aconteceu quando eles voltaram do vestiário. Momento escolhido pelos companheiros de Vinicius para admitir que o tikia-taka era muito pouco para eles, e depois se transformar em cruzamentos para a área como um bom e velho time jogando para se manter no Campeonato.
E o pior é que funciona…
Porém, vamos dar crédito ao ex-técnico do PSG pela honestidade em admitir que seu time não é o melhor da história por se divertir durante o jogo em primeiro lugar, e pelos seus dois ou três conceitos táticos de futebol para saber que a solução virá do passe longo quando eu te empurrar. Embora vindo dele na coletiva de imprensa parecesse mais uma boa e velha zombaria. Então Carlo: “No intervalo disse-lhes para não perderem a paciência porque íamos marcar. Mais cedo ou mais tarde marcaríamos, isso era certo. O principal era manter o equilíbrio para não complicar o jogo. E a equipa fez isso muito bem.” Bem, ele é um cara legal, mas os fatos não mentem e, além do mais, temos olhos.
O que acabou por perceber foi finalmente admitir que “o plano do primeiro período, que era encontrar mais espaço no centro, não funcionou devido às qualidades defensivas da equipa japonesa” e que era preciso fazer uma alteração “para tentar criar mais perigo na área com mais cruzamentos”. Ah, tanto faz, obrigado, Carlo.
Depois de dois cabeceios falhados de Guimarães e Casemiro, depois de dois cruzamentos de Danilo terem sido defendidos graças ao guarda-redes e à defesa japonesa em modo guerreiro, o terceiro acertou. A bola, desviada pela esquerda por Gabriel, bate na cabeça de Casemiro no segundo poste e Suzuki nada pode fazer desta vez. A ação soberba de Vinicius três minutos depois – controle orientado/ponte pequena, gancho de direita, direita externa desviada para a trave – parecia o início de uma orgia contra o atordoado japonês, mas no final das contas foi apenas um aborto molhado.
Depois de acordar, o sono começa (de novo)
Quase imediatamente depois disso, companheiros de equipe Neymar Desistindo, colocando as nádegas na geladeira depois que Martinelli passou na frente dele e substituiu Cunha, os brasileiros voltaram para a cama com um bom chocolate quente e um livro. Apenas uma cabeçada de Endrick, entrando no intervalo para compensar a lesão de outro ex-Lyon, Lucas Paquetá, mais uma vez em cruzamento/bola parada, foi tudo o que o Brasil tinha a oferecer.
No final tivemos que esperar até os 96 minutos de jogo para ver algo mais condizente com a glória daquela camisa amarela usada por todo o estádio nesta segunda-feira, o passe de Guimarães em espaço limitado na entrada da grande área e a sequência “mamma mística” de Martinelli controlando o plano esquerdo do pé direito para explodir o banco e evitar a expansão brasileira à semelhança da armadilha japonesa.
Mas a cópia geral feita nesta seleção do Brasil 2026 dificilmente tranquilizará ninguém além de Casemiro, o homem do jogo (risos), que na zona mista fez questão de “parabenizar” sua equipe “principalmente por esse aspecto psicológico, sua calma e serenidade”. Obviamente ele não poderia dizer mais nada, mas no final das contas, se ver a Seleção na 8ª colocação é óbvio, então vê-los jogar assim é uma verdadeira decepção no momento.