Rússia fecha pontos de passagem ferroviária na fronteira com Finlândia, Estônia e Letônia
A Rússia suspendeu o tráfego através de vários postos fronteiriços ferroviários com a Finlândia, Estónia e Letónia desde quarta-feira, anunciou Moscovo.
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O decreto do Kremlin publicado na terça-feira não especificou as razões destes encerramentos.
A declaração menciona apenas uma “suspensão temporária” do movimento de pessoas, veículos, mercadorias e carga através de certos pontos de passagem ao longo de secções da fronteira estatal russa.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia foi instruído a notificar a Finlândia, a Estónia e a Letónia da decisão.
O maior número de encerramentos ocorrerá na fronteira com a Finlândia, incluindo postos de controlo ferroviário em Vyborg, Vartsilya, Lyuttya, São Petersburgo-Finlândia e Svetogorsk.
O tráfego ferroviário também será interrompido na estação Pechori-Pskov, na fronteira entre a Rússia e a Estónia, e na estação Pytalovo, na fronteira com a Letónia.
Por que a Rússia fecharia as passagens de fronteira?
Há poucos dias, a Finlândia anunciou a sua intenção de fazer parceria com o grupo de defesa norte-americano Lockheed Martin para construir o primeiro centro de manutenção de Sistemas de Mísseis de Lançamento Múltiplo (MLRS) da Europa em Tampere.
O anúncio gerou raiva e ameaças na Rússia, com o primeiro vice-presidente do Comitê de Defesa da Duma, Aleksey Zhuravliov, acusando a Finlândia de se tornar uma “segunda Ucrânia” e ameaçando abertamente que Moscou tem o poder militar para destruir metade do país.
Desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, a Finlândia reforçou significativamente a sua postura de defesa no meio da intensificação das provocações russas.
A fronteira com a Rússia está fechada desde 2023, e Helsínquia acusa Moscovo de orquestrar operações híbridas e de expandir a sua infraestrutura militar ao longo da fronteira.
De acordo com uma recente investigação dinamarquesa, a Rússia está a reforçar significativamente a sua presença militar na fronteira da OTAN, em preparação para uma possível guerra futura com a Aliança.
Possível mobilização na Rússia
Outra possível explicação para esta decisão repentina de fechar as passagens ferroviárias seria uma futura mobilização na Rússia.
As autoridades russas estão a discutir uma nova onda de mobilização neste outono. Segundo alguns relatos, poderá ser anunciado em Outubro, após as eleições para a Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento Russo. A votação está marcada para 18 e 20 de setembro.
O comandante-chefe das forças armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrsky, também indicou que a Rússia poderá lançar uma nova onda de mobilização neste outono, apontando também para as eleições de setembro.
Autoridades ucranianas dizem que Moscou está se preparando para convocar dezenas de milhares de novos soldados para compensar as crescentes perdas no campo de batalha.
A primeira vaga daquilo que Moscovo chamou de “mobilização parcial” em Setembro de 2022 desencadeou manifestações e fez com que centenas de milhares de russos fugissem para o estrangeiro. Desde então, o Kremlin evitou utilizar novamente a medida porque é impopular e pode provocar descontentamento público.
O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) informou em Janeiro que a Rússia sofreu cerca de 1,2 milhões de baixas no campo de batalha em Dezembro de 2025, incluindo até 325.000 soldados mortos.
Para compensar estas perdas surpreendentes, Moscovo deve recrutar mais de 30 mil novos soldados todos os meses.
A inteligência ucraniana afirma que cerca de 70.500 novos soldados russos assinaram um contrato nos primeiros três meses de 2026, cerca de 30.000 abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Defesa russo.
De acordo com relatos dos meios de comunicação social, foram organizados exercícios de mobilização em massa em grande escala na região de Volgogrado, em meados de Junho, com funcionários relevantes das administrações regionais vizinhas convidados a participar.
A Rússia afirma que tais exercícios acontecem todos os anos.