29 Junho 2026

Tensões comerciais agitam o espírito caipirinha do Brasil: NPR


A bartender Rafaella Demelo coloca açúcar, 1,5 grama de Leblon e meio limão sobre gelo em uma coqueteleira enquanto prepara uma caipirinha, coquetel marca registrada do Brasil.

Alan Diaz/AP


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Alan Diaz/AP

RIO DE JANEIRO, Brasil — As tarifas do governo Trump podem ter feito o que décadas de diplomacia não conseguiram: convencer a Europa e a América do Sul de que precisavam uma da outra.

Para os produtores de cachaça do Brasil, a mudança diplomática já está se tornando uma oportunidade de negócios.

“Acho que o crescimento será enorme”, disse o destilador Assja Schymura, de Pindorama. “Se conseguirmos superar essas barreiras iniciais.”

A cachaça, a bebida alcoólica brasileira à base de cana-de-açúcar e ingrediente-chave do famoso coquetel do país, a caipirinha, ganhou prêmios em competições europeias, mas há muito luta para entrar no mercado. Os direitos de importação e a falta de consciência mantiveram-no principalmente como um nicho de exportação. Os fabricantes agora veem uma chance de mudar isso.

Em Maio, a UE e o Mercosul – um bloco comercial sul-americano conhecido como “Mercado Comum do Sul” que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – finalmente avançaram com um acordo comercial há muito adiado, cortando tarifas sobre centenas de produtos, desde peças de aeronaves até cachaça. A Bolívia, que aderiu ao Mercosul depois de a maior parte do acordo já ter sido negociada, deverá aderir nos próximos anos.

Os países atrasaram durante décadas a assinatura do acordo depois de ambos os lados terem sido atingidos pelas tarifas dos EUA no ano passado. As relações imprevisíveis com os Estados Unidos “tendem a levar à busca de parceiros adicionais para compensar”, disse o ex-funcionário comercial e diplomata brasileiro Roberto Jaguaribe.

O acordo UE-Mercosul vai além do simples comércio. Também compromete os membros a manterem as instituições democráticas e a permanecerem no acordo climático de Paris – compromissos que as autoridades europeias e sul-americanas dizem ser mais importantes à medida que Washington se retira das iniciativas climáticas globais e de democracia sob a administração Trump.

A mudança no relacionamento deu novo impulso a outras conversas. Numa conferência no Brasil este mês sobre o fortalecimento dos laços entre a Europa e a América Latina, a diplomata finlandesa Anna-Kaisa Heikkinen argumentou que os países comprometidos com a ordem internacional baseada em regras “devem unir-se”.



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